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TJMA promove círculos restaurativos e fortalece rede de apoio em Caxias

Ações desenvolvidas pelo Núcleo Estadual de Justiça Restaurativa alcançaram juízes, servidores da Justiça, profissionais da Educação e da rede de proteção às mulheres

Publicado em 2 de Set de 2026, 8h00. Atualizado em 2 de Set de 2026, 12h45
Por Márcio Rodrigo

Nesta terça-feira (1º/9), o Núcleo Estadual de Justiça Restaurativa do Tribunal de Justiça do Maranhão (NEJUR/TJMA) reuniu juízes, servidores do Judiciário, profissionais da Educação e da rede de proteção no Fórum Desembargador Arthur Almada Lima, em Caxias, em atividades voltadas para a disseminação da cultura de paz e fortalecimento das práticas restaurativas.

Pela manhã, juízes e servidores da comarca participaram de um Círculo de Construção de Paz com o tema "Fortalecendo vínculos e construindo ambientes institucionais saudáveis". A abertura foi conduzida pelo juiz Antônio Velozo, coordenador do Centro de Justiça Restaurativa de Caxias, que destacou o alinhamento estratégico da comarca com o núcleo estadual e a ampliação das práticas restaurativas em diferentes áreas, como educação, defesa da criança e adolescente e defesa da mulher. "A Justiça Restaurativa é uma prática de pacificação da sociedade que precisa ser disseminada, e esse é um desafio que cabe a todos nós", pontuou.

O juiz Jorge Leite, titular da 2ª Vara Cível e ex-coordenador do Cejur local, reforçou o compromisso com a expansão da metodologia na comarca. Em seguida, os servidores do Nejur, Hugo Mendes e Lígia Pestana apresentaram os fundamentos, metodologias e evolução histórica da Justiça Restaurativa, além da estrutura organizacional e projetos do núcleo. Foram abordadas práticas como a Conferência de Grupo Familiar, o modelo Vítima-Ofensor-Comunidade e os círculos de diálogo, contextualizando a trajetória desde suas origens comunitárias até a consolidação em legislações nacionais e internacionais.

  • O Núcleo de Justiça Restaurativa do TJMA é presidido pela desembargadora Graça Amorim, e coordenado pela juíza Larissa Tupinambá Castro.

Equipamentos à esquerda: No canto esquerdo, há uma mesa de madeira com pés pretos onde estão apoiados um notebook aberto e um projetor branco. Ao fundo, observam-se duas caixas de som pretas em pedestais.

Círculo de Construção de Paz reuniu servidores da Justiça e profissionais da rede de proteção

Durante o círculo restaurativo, a dinâmica de fala foi guiada pelo uso do "objeto de fala" - simbolizado por uma girafa de pelúcia -, garantindo que apenas a pessoa que o segura se pronuncie, enquanto os demais participantes mantêm uma escuta ativa, sem interrupções ou debates. A girafa é símbolo oficial da Comunicação Não-Violenta (CNV) devido às suas características físicas. Possui o maior coração entre os mamíferos terrestres, a girafa representa a "linguagem do coração"; seu longo pescoço simboliza a capacidade de enxergar além dos julgamentos superficiais e comunicar necessidades com autenticidade, enquanto suas grandes orelhas remetem à disposição de escutar o outro com profunda empatia.

Para a secretária judicial Fernanda Pinheiro, da Vara de Combate à Violência Doméstica, a metodologia restaurativa auxilia na conscientização de vítimas e ofensores. Na visão de Rafaela de Alencar (no destaque da imagem abaixo), do Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CRAM), a empatia trabalhada pela Justiça Restaurativa atua como ferramenta de saúde mental e libertação.

Uma foto interna, em plano geral, mostra um grupo diversificado de cerca de 40 pessoas reunidas no fundo de uma sala ampla para uma foto coletiva.

Fiama Feitosa, da Secretaria de Direitos Humanos e Políticas para as Mulheres, reforçou que a experiência amplia a possibilidade de multiplicar os círculos de diálogo nos polos de atendimento, fortalecendo o acolhimento às mulheres em situação de vulnerabilidade.

EDUCAÇÃO E CULTURA DE PAZ

No período da tarde, o Nejur realizou um círculo restaurativo com educadores na sede da Secretaria Municipal de Educação. Professores que já participam do Projeto Tarde - Práticas Restaurativas nas Escolas: Educando para a Paz compartilharam experiências com colegas que demonstraram interesse em implantar a metodologia em suas instituições.

A coordenadora Lígia Pestana conduziu a abertura com a leitura de versos da Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias, homenageando o poeta caxiense e trazendo reflexões sobre coragem e resiliência na educação.

Não chores, meu filho;

Não chores, que a vida

É luta renhida:

Viver é lutar.

A vida é combate,

Que os fracos abate,

Que os fortes, os bravos,

Só pode exaltar".

A metodologia circular foi apresentada como forma de garantir horizontalidade, escuta ativa e pertencimento. O uso simbólico do girassol como objeto de fala reforçou valores de cooperação e fortalecimento mútuo. Hugo Mendes destacou a curiosidade e entusiasmo em disseminar as práticas restaurativas, enquanto professores e gestores presentes relataram expectativas de aplicar os círculos em suas escolas.

Entre os relatos, ganhou destaque o depoimento do gestor Francisco Rodrigues, da Unidade Integrada Municipal Santa Catarina de Labouré, localizada no Bairro Baixinha, que compartilhou resultados concretos da implantação da metodologia. Segundo o gestor, a Justiça Restaurativa transformou a dinâmica escolar, trazendo redução significativa de conflitos, maior preservação do patrimônio público e valorização do diálogo como ferramenta de convivência.

Um homem negro de cabelos curtos escuros, usando óculos de grau com armação fina, camisa social de manga longa de cor clara (bege/off-white) com as mangas levemente dobradas no antebraço e calça jeans azul-escura. Ele traz um relógio de pulso metálico no braço esquerdo.

Professor Francisco Rodrigues, gestor da Escola Santa Catarina de Labouré

Percebemos uma mudança de comportamento dos alunos, uma queda nas ocorrências indisciplinares e uma diminuição da poluição visual na escola. O diálogo passou a ser uma constante, sem deixar de lado medidas mais intensivas quando necessárias", afirmou.

PROGRAMAÇÃO

A programação do Nejur segue nesta quarta-feira (2/9), com atividades na Casa da Mulher Maranhense de Caxias. Na quinta-feira e sexta-feira, dias 3 e 4 de setembro, as iniciativas se estenderão até a comarca de Codó, com palestras formativas e círculos de construção de paz, consolidando o compromisso do Tribunal de Justiça do Maranhão em expandir e fortalecer a Justiça Restaurativa na região leste maranhense.

Agência TJMA de Notícias

asscom@tjma.jus.br

Glossário
  • Comarca: Divisão que organiza territorialmente a atuação da Justiça. Cada comarca tem um tribunal ou fórum responsável por julgar os processos e atender as pessoas daquela região.
  • Desembargador: Magistrado que atua na 2ª instância do Tribunal de Justiça.
  • Desembargadora: Magistrada que atua na 2ª instância do Tribunal de Justiça.
  • Juiz: A pessoa que decide o que a lei diz sobre os casos que lhe são apresentados na 1ª instância.
  • Justiça restaurativa: Método focado no diálogo entre vítima e ofensor para reparar os danos emocionais e práticos causados pelo crime, indo além da punição.
  • Juíza: A pessoa que decide o que a lei diz sobre os casos que lhe são apresentados na 1ª instância.
  • Vara: Setor da 1ª instância do tribunal que organiza os processos, cumpre as determinações dos juízes, e realiza todos os atos para garantir o andamento correto dos casos, como publicar decisões, dar certidões e expedir documentos, entre outros.

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