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Palestra sobre saúde mental no Judiciário integra abertura do Setembro Amarelo

A psicóloga Tatiana Oliveira de Carvalho, da Divisão Psicossocial do TJMA, fez uma análise da saúde mental no Judiciário e abordou como o sentido da vida pode se tornar um fator de proteção

Publicado em 1 de Set de 2026, 13h58. Atualizado em 1 de Set de 2026, 14h47
Por Ascom/TJMA

"Precisamos promover a ideia de que pedir ajuda é um ato de responsabilidade e coragem e não um ato de fraqueza".

A declaração acima foi dita durante a palestra "A saúde mental no Judiciário: desafios atuais e caminhos para o cuidado", ministrada pela psicóloga Tatiana Oliveira de Carvalho, da Divisão Psicossocial do Tribunal de Justiça do Maranhão. A palestra integrou a programação de abertura da campanha Setembro Amarelo 2026 do Judiciário maranhense, com o tema "Valorizando a vida, construindo redes de apoio", nesta terça-feira (1º/9). A iniciativa do Núcleo de Atenção Psicossocial (Nuapsi), presidido pelo desembargador Jorge Rachid, ocorreu na Sala das Sessões Plenárias do TJMA.

Foto horizontal. Um homem de terno cinza e óculos discursa em frente a um microfone e um monitor. Ao lado dele na mesa de honra estão sentadas outras três pessoas vestidas formalmente. Os participantes usam um laço amarelo na lapela em apoio ao Setembro Amarelo. Placas de identificação, como

Antes da palestra, houve a abertura da programação pelo presidente do TJMA, desembargador Ricardo Duailibe, e pelo presidente do Núcleo de Atenção Psicossocial (NUAPSI), desembargador Jorge Rachid. A mesa também contou com a presença da corregedora-geral do Foro Extrajudicial (Cogex), desembargadora Angela Salazar; da diretora-geral do TJMA, juíza Ticiany Gedeon Maciel Palácio; e do juiz auxiliar da Corregedoria, Francisco Reis Junior, que representou o corregedor-geral da Justiça, desembargador José Gonçalo.

DESAFIOS E ACOLHIMENTO

Tatiana Carvalho abordou o histórico da campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio, os desafios atuais e os caminhos possíveis. Enfatizou a responsabilidade institucional no cuidado, destacou os serviços de acolhimento já disponíveis no Tribunal - atendimento psicológico, psiquiátrico e suporte do Nuapsi - e o papel do sentido da vida como fator de proteção da saúde mental.

"Ajudando as pessoas a se darem conta do que traz sentido para a sua vida e como elas podem extrair força desses aspectos que trazem sentido a sua vida para enfrentar as dificuldades e não sucumbir a elas", resumiu Tatiana Carvalho.

A profissional tem carreira consolidada também como psicóloga pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), mestra em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB), doutora em Psicologia pela PUC-Campinas, especialista em Psicopedagogia pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e com formação em Logoterapia e Análise Existencial pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), entre outros títulos.

HISTÓRICO

O Setembro Amarelo surgiu no Brasil em 2015, impulsionado por uma parceria entre a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Centro de Valorização da Vida (CVV). A iniciativa foi inspirada na história de Mike Emme, nascido nos Estados Unidos, que se suicidou em 1994, aos 17 anos. Mike possuía um Mustang 1968 que ele próprio havia restaurado e pintado de amarelo.

No dia de seu velório, amigos e familiares distribuíram cartões amarrados com fitas amarelas contendo mensagens de apoio para pessoas que pudessem estar em situação de desespero emocional, dando origem ao símbolo mundial da causa. O dia 10 de setembro foi estabelecido pela Associação Internacional para Prevenção do Suicídio como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Foto horizontal. Uma mulher com cabelos castanhos claros segura um microfone com a mão direita. Ela veste uma camiseta amarela com estampa da campanha

"As pesquisas mostram que quase 100% das pessoas que cometeram suicídio apresentavam algum transtorno mental que, ou não estavam tratando, ou estavam fazendo um tratamento inadequado", contou a psicóloga.

DADOS

Segundo Tatiana Carvalho, estima-se que, a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo. Enquanto alguns países da Europa têm conseguido reduzir o número de suicídios, no Brasil e em outros países da América Latina tem sido observado um aumento do índice, nos últimos anos.

Dados levantados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que, no Judiciário brasileiro, os transtornos mentais e comportamentais são responsáveis por uma faixa de 7,8% a 11,1% das licenças.

Levantamento feito pelo TJMA, de janeiro a junho de 2026, demonstra que, de todos os diagnósticos de afastamento, 7,27% estão relacionados a problemas de saúde mental.

REDUZIR PRECONCEITOS

Tatiana Carvalho lembrou que a campanha visa reduzir preconceitos em relação à saúde mental e à própria questão do suicídio, conscientizar a população sobre a prevenção do suicídio e proporcionar a redução do estigma por meio de informação responsável.

Contou que um dos mitos é de que não se pode falar sobre o suicídio, o que incentivaria outras pessoas à mesma atitude, o que não considera verdade.

"Existem formas corretas de falar sobre suicídio nessa perspectiva de prevenção, o que vai ajudar muitas pessoas a se darem conta de que estão precisando de ajuda e saber como buscar essa ajuda", argumentou.

Disse que um grande desafio é o índice considerado bastante elevado de afastamentos por problemas de saúde mental no Brasil, incluindo as pessoas que integram o Judiciário.

"Geralmente são quadros de transtornos de ansiedade e transtornos depressivos e o que está por trás desses quadros é a problemática do estresse, que, quando não é bem manejado, pode se tornar adoecedor", apontou.

CAMINHOS

A psicóloga indica a necessidade de mudar a percepção sobre a saúde mental, inclusive no Judiciário, tratando-a como uma prioridade de gestão e segurança, e não apenas um tema clínico. Reforça que o monitoramento dos riscos psicossociais e a revisão de fluxos de trabalho são essenciais. Enfatiza que a preservação da saúde mental é uma responsabilidade compartilhada entre a instituição e o indivíduo, sendo indispensável para a qualidade da prestação jurisdicional.

A profissional reforça que o TJMA já disponibiliza, para os seus servidores e suas servidoras, atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito, para quem quiser fazer o tratamento por demanda espontânea.

Completou que a Divisão Psicossocial está aberta ao acolhimento de servidores em processo de adoecimento relacionado a situações do trabalho, estresse do trabalho, conflitos no ambiente de trabalho, entre outros.

"A Divisão Psicossocial foca nesse acompanhamento das questões laborais, das questões de saúde relacionadas ao trabalho, e o Nuapsi oferta o atendimento psicológico e psiquiátrico", explicou.

SENTIDO DA VIDA

Por fim, a psicóloga falou sobre a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl, renomado neurologista e psiquiatra austríaco que sobreviveu a quatro campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, incluindo Auschwitz.

A experiência no holocausto serviu como a validação prática de seus conceitos. Ele observou que os prisioneiros que tinham um propósito claro para viver demonstravam mais resiliência para suportar o sofrimento.

Segundo ela, Viktor Frankl apresenta três categorias de valores para a descoberta de sentido na vida:

  • Os Valores de Criação referem-se ao que as pessoas oferecem ao mundo por meio do trabalho, criatividade e contribuições únicas. Segundo esta via, encontrar sentido na ocupação profissional aumenta a motivação e protege a saúde mental.
  • Os Valores de Vivência são os que as pessoas usam para receber algo do mundo, como o contato com a natureza, a apreciação da arte e a profundidade dos sentidos do amor.
  • Os Valores de Atitude estão relacionados à capacidade de escolher como as pessoas se posicionam diante de circunstâncias inevitáveis e dolorosas. Indica que mesmo em situações de sofrimento extremo, o ser humano mantém a liberdade interior de decidir sua postura perante a vida.

Foto horizontal. Uma mulher sorridente vestindo camiseta amarela segura um livro infantil junto a um homem. O homem usa terno cinza, gravata amarela e um broche de laço amarelo na lapela. Ambos exibem o livro ilustrado intitulado

Tatiana Carvalho (na foto acima, ao lado do desembargador Jorge Rachid) é autora de livros infantis fundamentados na Logoterapia. Em 2025 publicou o livro Um Menino Chamado Viki, biografia de Viktor Frankl para o público infantojuvenil.

EXTREMAMENTE PRODUTIVA

A auxiliar judiciária Rita de Cássia Fernandes Marques, que trabalha na Biblioteca do TJMA, considerou a palestra extremamente produtiva. Ela destacou a importância de aprender a gerenciar emoções e problemas cotidianos de forma saudável, encontrando sentido na vida por meio da utilidade, da ajuda ao próximo e da espiritualidade.

Foto horizontal. Uma mulher de cabelos castanhos e curtos sorri diretamente para a câmera. Ela veste um casaco com estampa de oncinha sobre uma blusa marrom e usa um colar dourado em formato de flor. Na blusa, destaca-se um pequeno laço amarelo preso do lado esquerdo do peito. Ao fundo, através de divisórias de vidro, observa-se um homem com camiseta vermelha do TJMA. À direita da imagem, é possível notar parte de um tripé de câmera de gravação.

"Eu espero acompanhar todas as palestras e sair daqui de maneira mais forte e mais capaz de enfrentar os problemas do dia a dia", revelou Rita de Cássia.

"É uma reflexão, a questão do que a gente está buscando na nossa vida, os objetivos, cuidar muito bem da nossa saúde para conseguir seguir em frente", acrescentou a coordenadora Luciana Vasconcelos, que trabalha na Diretoria Geral do Tribunal.

"É uma campanha muito boa, principalmente porque a nossa saúde mental, trabalhando com metas, produtividade, acontecem muitas coisas e eu acho muito importante o Tribunal fazer esse tipo de palestra", completou a assessora de gabinete Sarah Mesquita.

Confira a programação completa.

Confira a Cartilha de Prevenção ao Suicídio.

Veja o álbum do evento de abertura produzido pelo fotógrafo Ribamar Pinheiro.

Agência TJMA de Notícias
asscom@tjma.jus.br
(98) 2055-2024

prevenção|gabinete|apreciação

Glossário
  • Desembargador: Magistrado que atua na 2ª instância do Tribunal de Justiça.
  • Desembargadora: Magistrada que atua na 2ª instância do Tribunal de Justiça.
  • Juiz: A pessoa que decide o que a lei diz sobre os casos que lhe são apresentados na 1ª instância.
  • Juíza: A pessoa que decide o que a lei diz sobre os casos que lhe são apresentados na 1ª instância.

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