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Judiciário maranhense fortalece cultura de respeito em roda de conversa com estagiários

Publicado em 26 de Ago de 2026, 16h02. Atualizado em 27 de Ago de 2026, 8h49
Por Márcio Rodrigo

As Comissões de Assédio Moral, Assédio Sexual e Discriminação de 1º e 2º Graus do Poder Judiciário do Maranhão realizaram, nesta quarta-feira (26/8), a II Roda de Conversa sobre Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação no Ambiente de Estágio, com o tema "Por um ambiente de aprendizado justo, seguro e saudável". A iniciativa reforça o compromisso institucional com a promoção de um espaço mais respeitoso, inclusivo e humanizado.

O encontro ocorreu no Auditório Desembargador Orville de Almeida e Silva, no Fórum de São Luís, e reuniu estagiários(as) e residentes do Judiciário maranhense. Participaram da ação, o desembargador José Luiz Almeida, membro da Comissão de 2º Grau; a juíza Ariane Pinheiro, presidente da Comissão de 1º Grau; além dos membros Railson Rodrigues (psicólogo), Jammson de Almeida (analista judiciário) e Thamires Almeida (secretária das comissões).

  • A programação abordou conceitos e exemplos de assédio moral, assédio sexual e discriminação, seus impactos, formas de prevenção, canais institucionais de acolhimento e o fluxo de atendimento das Comissões. Houve também roda de conversa, dinâmica interativa e espaço para perguntas e esclarecimentos.

Durante o diálogo, o desembargador José Luiz Almeida (no centro da imagem abaixo) ressaltou a importância de diferenciar as exigências normais do cotidiano de trabalho dos excessos que configuram desrespeito. Ao abordar as dinâmicas de convivência e a ética no ambiente institucional, o magistrado contrapôs as figuras de "gente feia" e "gente bonita".

Segundo o magistrado, a dita "gente feia" não diz respeito a aspectos estéticos, mas à postura de profissionais que agem com arrogância, impaciência e falta de empatia no exercício do trabalho - como juízes e operadores do Direito que extrapolam limites contrários à dignidade do ser humano e à urbanidade. Em contraste, a "gente bonita" é representada por aqueles que priorizam a urbanidade, tratam os colegas de forma respeitosa e mantêm o compromisso com a humanização do ambiente de trabalho.

A magistrada Ariane Pinheiro destacou o compromisso do órgão em estruturar um ambiente institucional que garanta um espaço seguro de escuta, orientação e mediação preventiva, atuando de forma decisiva para coibir condutas hostis e assegurar a preservação da dignidade e do bem-estar de todos os juízes, servidores, estagiários, residentes, colaboradores e prestadores de serviço.

Nosso papel fundamental na Comissão é oferecer um espaço seguro de escuta e acolhimento para todos aqueles que enfrentam o adoecimento decorrente de ambientes de trabalho hostis. Precisamos compreender que a cobrança por resultados faz parte da rotina profissional, mas ela jamais pode ultrapassar os limites do respeito ou violar a dignidade humana. Estamos aqui para orientar, intervir e atuar firmemente na prevenção do assédio, garantindo que o cuidado com a saúde mental e o respeito mútuo sejam prioridades inegociáveis no nosso tribunal", declarou.

VIRADA DE CHAVE

O psicólogo Railson Rodrigues (imagem abaixo) ressaltou o caráter histórico da criação das comissões, destacando que reconhecer a existência do problema e enfrentá-lo representa uma "virada de chave" na cultura institucional. Ele enfatizou a vulnerabilidade de estagiários e residentes, lembrando que o erro faz parte do processo educativo e deve ser tratado com orientação, nunca com hostilidade.

Os servidores Jammson de Almeida e Thamires Almeida apresentaram quadros explicativos sobre os tipos de assédio, com exemplos de comportamentos abusivos como humilhações, metas impossíveis, investidas sexuais e piadas de conotação sexual. A ação também destacou a Resolução nº 351/2020 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que fundamenta a criação das comissões nos tribunais, e a regulamentação estadual por meio da Portaria Conjunta nº 8/2021 e da Resolução TJMA nº 106/2024.

Agência TJMA de Notícias
asscom@tjma.jus.br

Glossário
  • Desembargador: Magistrado que atua na 2ª instância do Tribunal de Justiça.
  • Juíza: A pessoa que decide o que a lei diz sobre os casos que lhe são apresentados na 1ª instância.
  • Magistrado: Palavra usada para se referir a juiz ou desembargador.

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