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Justiça Restaurativa do TJMA avalia como positivo o diálogo com comunidades tradicionais

Por meio de Círculos de Construção de Paz, o Nejur contribuiu para a promoção da Escuta Territorializada do STF junto a comunidades quilombolas, quebradeiras de coco babaçu e povos indígenas 

Publicado em 6 de Ago de 2026, 10h45. Atualizado em 6 de Ago de 2026, 14h34
Por Ascom/TJMA

O Tribunal de Justiça do Maranhão, por meio do Núcleo Estadual de Justiça Restaurativa (Nejur/TJMA), avaliou como positivo o diálogo com comunidades tradicionais, durante sua participação no projeto-piloto do Programa de Escuta Territorializada, iniciativa da Ouvidoria dos Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais do Supremo Tribunal Federal (STF), em parceria com o Comitê de Diversidade e a Ouvidoria dos Povos Indígenas do Judiciário maranhense, entre os dias 28 e 31 de julho.

Participaram das atividades, pelo Nejur, a coordenadora administrativa, Lígia Fernanda Abreu Pestana, e a assistente Jusa Pacheco Dias, que integraram a comitiva responsável pelas visitas ao Quilombo Urbano da Liberdade, em São Luís; ao Acampamento Viva Deus, em Imperatriz; à Terra Indígena Araribóia, em Amarante do Maranhão; e à Terra Indígena Krikati, em Montes Altos.

Para a coordenadora administrativa do NEJUR, a utilização das práticas restaurativas durante a Escuta Territorializada demonstrou que o diálogo qualificado constitui um importante instrumento para aproximar o Poder Judiciário das comunidades tradicionais.

Foto horizontal. A imagem mostra um grupo de mulheres reunidas em um grande círculo ao ar livre. Elas estão sentadas em cadeiras de plástico sob a sombra de árvores em um espaço rural. Uma das participantes se destaca falando ativamente enquanto as outras escutam com atenção. À direita, há uma pequena exposição no chão com cocos de babaçu e materiais tradicionais. Ao fundo, observam-se estruturas rústicas de madeira e palha típicas do ambiente comunitário.

Os Círculos de Construção de Paz proporcionam um espaço seguro, acolhedor e horizontal, em que todas as pessoas podem ser ouvidas com respeito e dignidade. Participar dessa iniciativa junto às comunidades quilombolas, às quebradeiras de coco babaçu e aos povos indígenas reforça a importância de construirmos uma Justiça que reconheça os diferentes saberes, valorize as identidades culturais e promova soluções a partir do diálogo", disse Lígia Pestana (segunda, da direta para a esquerda, de frente para a câmera)

PROMOÇÃO DO DIÁLOGO

A participação do Núcleo teve como destaque a utilização das técnicas dos Círculos de Construção de Paz, metodologia da Justiça Restaurativa voltada à promoção do diálogo, da escuta qualificada e da construção coletiva de soluções. É um processo estruturado que cria um espaço seguro e respeitoso para o compartilhamento de experiências, sentimentos e necessidades, especialmente diante de situações complexas ou sensíveis.

Fundamentado no princípio de que todas as pessoas possuem igual valor e dignidade, o círculo assegura voz e participação equitativas, reconhecendo que cada integrante pode contribuir para a construção de caminhos que atendam às necessidades da coletividade.

Por meio da abordagem restaurativa aplicada pela coordenadora administrativa do Nejur e facilitadora em Justiça Restaurativa, Lígia Pestana, o diálogo proporcionou um ambiente de acolhimento, respeito e participação.

No Quilombo Urbano da Liberdade e na comunidade Viva Deus, formada por integrantes do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), a metodologia restaurativa favoreceu uma escuta horizontal, permitindo que lideranças comunitárias compartilhassem suas vivências, desafios e expectativas em relação ao acesso à Justiça.

Além da condução dos círculos, as servidoras do Nejur acompanharam toda a programação da Escuta Territorializada, que teve como objetivo conhecer diretamente as demandas de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, identificando barreiras de acesso ao Judiciário e subsidiando a elaboração de políticas públicas mais inclusivas.

Durante as visitas, a comitiva do STF e do TJMA ouviu relatos sobre desafios relacionados à garantia de direitos, preservação dos territórios, proteção ambiental, valorização das identidades culturais e fortalecimento da participação social. As contribuições coletadas integrarão relatório que será encaminhado às instituições do Sistema de Justiça para subsidiar ações voltadas à ampliação do acesso à Justiça.

Escolhido pelo STF para sediar a primeira edição do Programa de Escuta Territorializada, o Maranhão foi reconhecido por sua expressiva diversidade sociocultural e pelas experiências desenvolvidas pelo TJMA na promoção do diálogo intercultural, entre elas a atuação da Ouvidoria dos Povos Indígenas, do Comitê de Diversidade e do Núcleo Estadual de Justiça Restaurativa.

ANCESTRALIDADE

De acordo com a equipe do Nejur, a participação do Núcleo na Escuta Territorializada possui um significado que vai além da aplicação de uma metodologia de diálogo. A Justiça Restaurativa é inspirada em práticas ancestrais de resolução de conflitos desenvolvidas por povos originários e comunidades tradicionais em diversas partes do mundo. Muito antes de sua incorporação aos sistemas formais de justiça, comunidades indígenas utilizavam processos coletivos de escuta, responsabilização, reparação e fortalecimento dos vínculos comunitários para enfrentar conflitos e restaurar relações.

Nesse contexto, a utilização dos Círculos de Construção de Paz durante a Escuta Territorializada representou mais do que a aplicação de uma técnica de facilitação: simbolizou o reconhecimento da ancestralidade presente nas formas tradicionais de diálogo dos povos indígenas, das comunidades quilombolas e das quebradeiras de coco babaçu.

A participação do Núcleo Estadual de Justiça Restaurativa na iniciativa evidencia que as práticas restaurativas constituem importantes instrumentos para a promoção do acesso à Justiça, o fortalecimento da cultura de paz e a valorização da diversidade. Ao aproximar o Poder Judiciário dos territórios por meio da escuta qualificada e do diálogo respeitoso, o Nejur entende que contribui para a construção de relações institucionais mais colaborativas, inclusivas e comprometidas com o reconhecimento dos saberes, da memória e das identidades dos povos e comunidades tradicionais.

Foto horizontal. A imagem mostra um grande grupo de pessoas reunidas para uma foto coletiva ao ar livre. Alguns homens estão agachados à frente, enquanto a maioria permanece em pé atrás. O grupo está sob a sombra das árvores em um espaço aberto de terra batida. Ao fundo, avista-se traves de um campo de futebol, vegetação e estruturas locais. O dia está ensolarado, com céu azul claro e poucas nuvens acima dos participantes.

Agência TJMA de Notícias
asscom@tjma.jus.br
(98) 2055-2024

Glossário
  • Justiça restaurativa: Método focado no diálogo entre vítima e ofensor para reparar os danos emocionais e práticos causados pelo crime, indo além da punição.
  • Ouvidoria: Canal para receber elogios, sugestões, reclamações e dúvidas da sociedade.
  • Poder Judiciário: Poder do Estado responsável por julgar conflitos e aplicar as leis.
  • STF: Sigla para Supremo Tribunal Federal. Tribunal mais alto do Judiciário no Brasil, responsável por interpretar a Constituição.

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