Poder Judiciário/Mídias/Notícias
Justiça Restaurativa do TJMA avalia como positivo o diálogo com comunidades tradicionais
Por meio de Círculos de Construção de Paz, o Nejur contribuiu para a promoção da Escuta Territorializada do STF junto a comunidades quilombolas, quebradeiras de coco babaçu e povos indígenas
O Tribunal de Justiça do Maranhão, por meio do Núcleo Estadual de Justiça Restaurativa (Nejur/TJMA), avaliou como positivo o diálogo com comunidades tradicionais, durante sua participação no projeto-piloto do Programa de Escuta Territorializada, iniciativa da Ouvidoria dos Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais do Supremo Tribunal Federal (STF), em parceria com o Comitê de Diversidade e a Ouvidoria dos Povos Indígenas do Judiciário maranhense, entre os dias 28 e 31 de julho.
Participaram das atividades, pelo Nejur, a coordenadora administrativa, Lígia Fernanda Abreu Pestana, e a assistente Jusa Pacheco Dias, que integraram a comitiva responsável pelas visitas ao Quilombo Urbano da Liberdade, em São Luís; ao Acampamento Viva Deus, em Imperatriz; à Terra Indígena Araribóia, em Amarante do Maranhão; e à Terra Indígena Krikati, em Montes Altos.
Para a coordenadora administrativa do NEJUR, a utilização das práticas restaurativas durante a Escuta Territorializada demonstrou que o diálogo qualificado constitui um importante instrumento para aproximar o Poder Judiciário das comunidades tradicionais.

Os Círculos de Construção de Paz proporcionam um espaço seguro, acolhedor e horizontal, em que todas as pessoas podem ser ouvidas com respeito e dignidade. Participar dessa iniciativa junto às comunidades quilombolas, às quebradeiras de coco babaçu e aos povos indígenas reforça a importância de construirmos uma Justiça que reconheça os diferentes saberes, valorize as identidades culturais e promova soluções a partir do diálogo", disse Lígia Pestana (segunda, da direta para a esquerda, de frente para a câmera)
PROMOÇÃO DO DIÁLOGO
A participação do Núcleo teve como destaque a utilização das técnicas dos Círculos de Construção de Paz, metodologia da Justiça Restaurativa voltada à promoção do diálogo, da escuta qualificada e da construção coletiva de soluções. É um processo estruturado que cria um espaço seguro e respeitoso para o compartilhamento de experiências, sentimentos e necessidades, especialmente diante de situações complexas ou sensíveis.
Fundamentado no princípio de que todas as pessoas possuem igual valor e dignidade, o círculo assegura voz e participação equitativas, reconhecendo que cada integrante pode contribuir para a construção de caminhos que atendam às necessidades da coletividade.
Por meio da abordagem restaurativa aplicada pela coordenadora administrativa do Nejur e facilitadora em Justiça Restaurativa, Lígia Pestana, o diálogo proporcionou um ambiente de acolhimento, respeito e participação.
No Quilombo Urbano da Liberdade e na comunidade Viva Deus, formada por integrantes do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), a metodologia restaurativa favoreceu uma escuta horizontal, permitindo que lideranças comunitárias compartilhassem suas vivências, desafios e expectativas em relação ao acesso à Justiça.
Além da condução dos círculos, as servidoras do Nejur acompanharam toda a programação da Escuta Territorializada, que teve como objetivo conhecer diretamente as demandas de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, identificando barreiras de acesso ao Judiciário e subsidiando a elaboração de políticas públicas mais inclusivas.
Durante as visitas, a comitiva do STF e do TJMA ouviu relatos sobre desafios relacionados à garantia de direitos, preservação dos territórios, proteção ambiental, valorização das identidades culturais e fortalecimento da participação social. As contribuições coletadas integrarão relatório que será encaminhado às instituições do Sistema de Justiça para subsidiar ações voltadas à ampliação do acesso à Justiça.
Escolhido pelo STF para sediar a primeira edição do Programa de Escuta Territorializada, o Maranhão foi reconhecido por sua expressiva diversidade sociocultural e pelas experiências desenvolvidas pelo TJMA na promoção do diálogo intercultural, entre elas a atuação da Ouvidoria dos Povos Indígenas, do Comitê de Diversidade e do Núcleo Estadual de Justiça Restaurativa.
ANCESTRALIDADE
De acordo com a equipe do Nejur, a participação do Núcleo na Escuta Territorializada possui um significado que vai além da aplicação de uma metodologia de diálogo. A Justiça Restaurativa é inspirada em práticas ancestrais de resolução de conflitos desenvolvidas por povos originários e comunidades tradicionais em diversas partes do mundo. Muito antes de sua incorporação aos sistemas formais de justiça, comunidades indígenas utilizavam processos coletivos de escuta, responsabilização, reparação e fortalecimento dos vínculos comunitários para enfrentar conflitos e restaurar relações.
Nesse contexto, a utilização dos Círculos de Construção de Paz durante a Escuta Territorializada representou mais do que a aplicação de uma técnica de facilitação: simbolizou o reconhecimento da ancestralidade presente nas formas tradicionais de diálogo dos povos indígenas, das comunidades quilombolas e das quebradeiras de coco babaçu.
A participação do Núcleo Estadual de Justiça Restaurativa na iniciativa evidencia que as práticas restaurativas constituem importantes instrumentos para a promoção do acesso à Justiça, o fortalecimento da cultura de paz e a valorização da diversidade. Ao aproximar o Poder Judiciário dos territórios por meio da escuta qualificada e do diálogo respeitoso, o Nejur entende que contribui para a construção de relações institucionais mais colaborativas, inclusivas e comprometidas com o reconhecimento dos saberes, da memória e das identidades dos povos e comunidades tradicionais.

Agência TJMA de Notícias
asscom@tjma.jus.br
(98) 2055-2024
- Justiça restaurativa: Método focado no diálogo entre vítima e ofensor para reparar os danos emocionais e práticos causados pelo crime, indo além da punição.
- Ouvidoria: Canal para receber elogios, sugestões, reclamações e dúvidas da sociedade.
- Poder Judiciário: Poder do Estado responsável por julgar conflitos e aplicar as leis.
- STF: Sigla para Supremo Tribunal Federal. Tribunal mais alto do Judiciário no Brasil, responsável por interpretar a Constituição.
GALERIA DE FOTOS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS ver mais
-
11/09/2026
TJMA divulga resultado preliminar da 6ª edição do Eixo Geral do Programa Meritus
-
11/09/2026
Conciliação Itinerante vai atender a população de Santa Luzia do Paruá, Bom Jardim e Santa Inês
-
11/09/2026
TJMA empossa 34 novos juízes e juízas e somará 375 magistrados em atuação no Primeiro Grau
-
11/09/2026
Observatório em Movimento inicia ações em quilombo de Bacabal
NOTÍCIAS RELACIONADAS
-
11/09/2026
Observatório em Movimento inicia ações em quilombo de Bacabal
-
10/09/2026
TJMA participa de pesquisa de satisfação sobre a Plataforma Socioeducativa (PSE)
-
09/09/2026
Núcleo de Justiça Restaurativa do TJMA conclui semana itinerante em Caxias e Codó
-
09/09/2026
TJMA oferece curso básico de Justiça Restaurativa

