A campanha Dicas de Saúde, do Tribunal de Justiça do Maranhão, traz, nesta semana, informações sobre os impactos da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) na saúde bucal. A dentista Aparecida Chaves, da Divisão Odontológica do TJMA, esclarece esta condição, caracterizada pelo retorno involuntário e repetitivo do conteúdo gástrico do estômago para o esôfago, podendo atingir a cavidade bucal.
"Trata-se de uma desordem comum na população, frequentemente subdiagnosticada, mas com impactos significativos na saúde geral e, especialmente, na saúde bucal", conta Aparecida Chaves.
Segundo a odontóloga, o cirurgião-dentista ou a cirurgiã-dentista desempenha papel fundamental na identificação precoce dessa condição, uma vez que muitas alterações orais podem ser sinais clínicos da doença, inclusive em pacientes que desconhecem o diagnóstico.
Aparecida Chaves explica que a saliva exerce função essencial na manutenção da saúde bucal. Atua na reparação de tecidos duros e moles, contribui para o equilíbrio da microbiota bucal e possui efeito tampão, ajudando a neutralizar ácidos. No entanto, em pacientes com DRGE, a ação ácida frequente pode ultrapassar a capacidade protetora salivar, favorecendo o desenvolvimento de lesões.
"A erosão dentária é a manifestação bucal mais comum e documentada da DRGE. O ácido gástrico promove a desmineralização progressiva do esmalte dentário. A erosão é um processo lento, cumulativo e progressivo, diretamente relacionado ao tempo e à frequência de exposição ao ácido", detalha a dentista.
A odontóloga relata que o desgaste dentário raramente ocorre de forma isolada. Na maioria dos casos, há uma sinergia entre a erosão (ácido gástrico), a abrasão (escovação inadequada ou uso de dentifrícios abrasivos) e a atrição (contato dente a dente, como no bruxismo). Ela destaca a associação entre DRGE e bruxismo noturno, em que a ação mecânica intensifica os danos em estruturas previamente fragilizadas pelo ácido.
Diz que as consequências da perda de tecido dentário podem gerar diversas repercussões como a hipersensibilidade dentinária, comprometimento estético (dentes amarelados e encurtados), aumento da suscetibilidade à cárie, alterações oclusais e a redução da dimensão das coroas clínicas. Essas alterações podem impactar diretamente a função mastigatória, a fala e a qualidade de vida do paciente.
A dentista conta que, além dos tecidos duros, a DRGE pode afetar os tecidos moles da cavidade oral, causando aftas, sensação de ardência bucal, boca seca, dificuldade de deglutição e mau hálito. Embora a halitose possa ter múltiplas causas, sua frequência tende a aumentar com a gravidade do refluxo.
"O reconhecimento precoce dos sinais bucais é essencial para evitar danos irreversíveis. Em estágios iniciais, é possível controlar a progressão por meio de medidas preventivas, como a remineralização do esmalte e pequenas intervenções restauradoras. Entretanto, o sucesso do tratamento depende da abordagem da causa primária, sendo fundamental o acompanhamento médico e a adoção de mudanças comportamentais", alerta Aparecida Chaves.
Para minimizar os impactos da DRGE na saúde bucal, a dentista diz ser recomendado:
"A DRGE é uma condição com elevada prevalência e impacto significativo na cavidade oral. Suas manifestações vão além da erosão dentária, envolvendo alterações estruturais, funcionais e estéticas. A atuação integrada entre odontologia e medicina é essencial para o diagnóstico, prevenção e tratamento eficaz, promovendo não apenas a saúde bucal, mas também a melhoria da qualidade de vida do paciente", finaliza Aparecida Chaves.
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