Na manhã desta sexta-feira (24/4), o presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, desembargador José Ribamar de Froz Sobrinho, realizou sua última reunião de trabalho à frente do órgão. Em videoconferência com os facilitadores e facilitadoras dos 134 Pontos de Inclusão Digital (PIDs), o magistrado agradeceu o empenho e dedicação ao longo dos últimos quatro anos, período em que esteve à frente da Corregedoria Geral da Justiça (2022/2024) e da Presidência do TJMA (2024/2026).
O programa Justiça de Todos, iniciado em maio de 2022, foi a principal marca da gestão Froz Sobrinho. A iniciativa ampliou o acesso à Justiça para populações que vivem em cidades, povoados, quilombos, aldeias indígenas e ilhas que não são sedes de comarcas, garantindo cidadania digital e aproximando o Judiciário de comunidades historicamente afastadas dos serviços judiciais.
O presidente Froz Sobrinho refletiu sobre o longo caminho percorrido, lembrando que é preciso mirar no futuro sem esquecer do passado.
Tal qual uma pessoa que conduz um veículo, atenta ao que se apresenta à frente, sem descuidar do que é visível no retrovisor, com toda atenção a quem cruza o seu caminho. Assim se comportou o Judiciário maranhense ao longo desses dois últimos anos em que tive a honra de ser presidente”, afirmou.

Na mensagem final aos facilitadores e facilitadoras, Froz Sobrinho reforçou o papel essencial que cada integrante da rede cumpre para o sucesso do programa. “Continuem firmes, se empenhando, nós somos servidores públicos. Nosso papel é orientar, escutar e encaminhar as pessoas para que tenham seus direitos garantidos. Reconheço práticas importantes como a conciliação, representada pelo trabalho do Joelson em Palmeirândia, e a escuta ativa que a Vladerlanea realiza em Belágua, além do trabalho de todos vocês. O objetivo é ampliar o acesso e aumentar os atendimentos, sempre preparados para oferecer o que o cidadão precisa. Hoje me despeço, entregando a caneta, e o projeto seguirá sob a liderança do presidente Ricardo Duailibe. Tenho plena confiança no potencial da equipe e no sucesso contínuo do Justiça de Todos”, concluiu.
Ao longo dos últimos quatro anos o programa foi coordenado pela juíza auxiliar da Presidência, Tereza Nina. Para a magistrada, o Justiça de Todos é mais que uma política de acesso à Justiça, “é a transformação de realidades, fortalecendo vínculos com as comunidades mais distantes”.
Durante a reunião, a juíza lembrou que o Justiça de Todos é um termômetro importante para que o Poder Judiciário acompanhe o nível de demanda das cidades maranhenses, e quando necessário, faça a ampliação da estrutura, a exemplo do que ocorreu em Peritoró, município que apresentou maior demanda de atendimentos no estado.
“Este fato levou o TJMA a planejar suas ações e agilizar a instalação da comarca de Peritoró para melhor atender a comunidade”, pontuou. Ela também agradeceu o empenho e dedicação de cada facilitador e facilitadora, e relembrou que o programa segue com o apoio institucional do TJMA, mesmo com as mudanças de equipes de coordenação.

Facilitadores e facilitadoras durante videoconferência com o presidente Froz Sobrinho
Os Pontos de Inclusão Digital funcionam em parceria com prefeituras municipais, em salas equipadas com computadores conectados à internet. Nesses espaços, cidadãos podem acessar serviços como consulta processual, balcão virtual e participar de audiências por videoconferência, sempre com o auxílio de um servidor facilitador. A estrutura também permite a realização de sessões do Tribunal do Júri e o encaminhamento de medidas protetivas de urgência eletrônicas, em parceria com a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher/TJMA).
O programa está alinhado à Resolução nº 325/2020 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre a Estratégia Nacional do Poder Judiciário 2021-2026, e à Agenda 2030 da ONU, contemplando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de redução das desigualdades, fortalecimento das instituições e parcerias em prol das metas.
Durante o encontro, facilitadores de diversas localidades se manifestaram, agradecendo ao presidente Froz Sobrinho, à juíza Tereza Nina, à assessora Alyne e ao juiz José Jorge Figueiredo dos Anjos Júnior pelo apoio e orientação ao longo da execução do programa. Facilitadores e facilitadoras de São João do Sóter, Belágua, Ilha dos Lençóis, Pedro do Rosário, Palmeirândia e outros municípios reforçaram o impacto positivo da iniciativa em suas comunidades.

O facilitador Beethoven Esdras, responsável pelo PID de São João do Sóter, destacou o valor da experiência.
“É um prazer imenso participar desse programa de grande valia que presta serviço público às comunidades vulneráveis do Maranhão. Eu sou muito grato em participar e sempre levo essa experiência para a universidade, mostrando a importância do Justiça de Todos. Nosso município está em primeiro lugar em atendimentos, e isso é motivo de orgulho. Esse programa deveria ser referência em todo o Brasil”, afirmou.
A facilitadora Vladerlanea Saminez Silva, responsável pelo PID de Belágua, relatou como a atuação no programa transformou sua trajetória profissional.
“A experiência na sala me fez desenvolver um amor maior pela área jurídica, mesmo sendo estudante de Serviço Social. Aprendi a valorizar a escuta qualificada, que permite identificar necessidades ocultas. Já atendi caso de criança vulnerável sem registro civil e fora da escola. O PID possibilitou encaminhamentos para o conselho tutelar, saúde, educação e assistência, mostrando que somos parte de uma rede de apoio que acolhe e transforma vidas”, disse.
A reunião contou com a presença do juiz auxiliar da Presidência, José Jorge Figueiredo dos Anjos Júnior; da assessora e supervisora técnica do Justiça de Todos, Alyne Portilho; do assessor-chefe da Assessoria de Comunicação do TJMA, Paulo Falcão; e do prefeito de Alcântara, Nivaldo Araújo.
Relembre, logo abaixo, a trajetória do programa Justiça de Todos:
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