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TJMA e parceiros realizam mais de 2 mil atendimentos em mutirão indígena em Barra do Corda

Ação integrada garantiu acesso à documentação, serviços de saúde e cidadania a mais de 1,1 mil indígenas

Publicado em 14 de Abr de 2026, 9h20. Atualizado em 14 de Abr de 2026, 10h05
Por Ascom/TJMA

Com o atendimento a 1.115 indígenas entre os dias 7 e 10 de abril, o mutirão realizado em Barra do Corda pelo Poder Judiciário do Maranhão, em parceria com órgãos públicos e a Prefeitura Municipal, resultou em 2.183 serviços prestados.

Durante a ação, foram emitidas 429 certidões de nascimento e casamento e 451 carteiras de identidade. A Defensoria Pública do Estado (DPE-MA) realizou 285 atendimentos, incluindo registros tardios, consultas processuais e demandas de família e administrativas. Também foram emitidos 61 títulos de eleitor.

Grupo de sete pessoas posa para a foto segurando documentos em mãos, aparentemente recém-emitidos. Entre elas, há mulheres jovens e adultas, além de um homem. Todos estão em um espaço interno semelhante ao das outras imagens, sorrindo e demonstrando satisfação com o atendimento recebido.

Na área da saúde, foram contabilizados 957 atendimentos, abrangendo especialidades como ginecologia, dermatologia, clínica geral e pediatria, além da realização de exames, vacinação, orientações e entrega de medicamentos.

Homem adulto, sentado em uma cadeira de plástico branco, recebe uma vacina no braço esquerdo. Ele veste camiseta branca e óculos escuros, enquanto um profissional de saúde, usando camiseta verde e máscara, aplica a injeção. Ao fundo, há várias pessoas sentadas e em pé, aguardando atendimento em um espaço amplo com piso branco e cadeiras distribuídas.

O chefe da unidade da Funai em Barra do Corda, Luciano Nava, destacou a relevância do mutirão para atender demandas históricas da população indígena local, garantindo protagonismo às comunidades atendidas.

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“Agradeço ao Tribunal de Justiça do Maranhão, por meio do Comitê de Diversidade, que reuniu órgãos parceiros e trouxe esperança para uma população tão vulnerável, em especial, a comunidade indígena guajajara, historicamente, vítima de todos os tipos de violência e muitas vezes invisíveis para a sociedade não indígena”, afirmou.

Ele também ressaltou o acolhimento das equipes e a oportunidade de fortalecimento da cidadania, contribuindo para a quebra de ciclos de estigma e marginalização.

ORGANIZAÇÃO

A ação foi organizada pelo Comitê de Diversidade do Tribunal de Justiça do Maranhão, por meio do Programa Escuta Ativa dos Povos Indígenas, e integra a Semana Nacional do Registro Civil (Registre-se), do Conselho Nacional de Justiça.

O mutirão contou com a parceria da Corregedoria Geral do Foro Extrajudicial do Maranhão (COGEX), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Prefeitura de Barra do Corda, da Defensoria Pública do Estado (DPE-MA), da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP/MA), por meio do Instituto de Identificação (Ident), do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA), além das secretarias estaduais de Saúde (SES) e de Desenvolvimento Social (Sedes), e do Comitê Estadual de Saúde do Maranhão

A juíza coordenadora do Comitê de Diversidade, Elaile Silva Carvalho, participou da ação, que integra os eixos de combate ao racismo institucional. Também atuaram na organização as servidoras Joelma Nascimento e Joseane Cantanhede.

No âmbito local, o mutirão contou com o apoio da comarca de Barra do Corda, da equipe de informática de Imperatriz e das secretarias municipais de Assuntos Indígenas, Assistência Social, Saúde, Cultura e Educação.

Mulher indígena e um homem estão sentados em frente a uma atendente, que utiliza um notebook sobre uma mesa. A atendente sorri enquanto conversa com eles. O ambiente é interno, com materiais de escritório visíveis, como canetas e papéis, indicando atendimento administrativo ou cadastro.

TRIAGEM

Com a aplicação de questionário na triagem para os atendimentos dos mutirões, o Comitê de Diversidade do TJMA, aprimora as informações sobre o perfil dos indígenas atendidos, a exemplo da faixa etária e escolaridade. 

A metodologia serve para subsidiar a Ouvidoria Indígena do Poder Judiciário do Maranhão e os órgãos públicos e instituições para implementação de políticas públicas voltadas para a população indígena. 

Os dados apontam que:

  • 44,8% dos atendidos possuem ensino fundamental;
  • A faixa etária predominante é entre 30 e 60 anos;
  • 79% fazem uso tanto da língua materna quanto do português nas comunidades.

Para a ouvidora indígena, juíza Adriana da Silva Chaves, os dados reforçam a importância de ouvir e compreender a realidade das comunidades para que as ações do Judiciário sejam cada vez mais eficazes e alinhadas às suas necessidades.

OUVIDORIA INDÍGENA E ESCUTA ATIVA

Os mutirões indígenas são as principais ações realizadas pela Ouvidoria Indígena do TJMA. Criada pela Resolução nº 42/2022, a partir de demandas de lideranças indígenas, a iniciativa oferece serviços em diversas áreas, garantindo direitos como o acesso à documentação básica.

Com a criação do Programa Escuta Ativa dos Povos Indígenas, também em 2022, o Comitê passou a realizar os mutirões em parceria com a Funai e outras instituições públicas e privadas.

Como resultado desse diálogo, entre 2022 e 2026, foram atendidos 4.594 indígenas em ações realizadas nos territórios das etnias Guajajara, Kanela, Krikati, Gavião e Ka’apor, nos municípios de Barra do Corda, Montes Altos, Amarante, Santa Luzia, Arame e Grajaú.

 

 

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