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TJMA participa de Mesa Complementar de Diálogo com comunidades quilombolas de Alcântara

Publicado em 27 de Mar de 2026, 8h00. Atualizado em 27 de Mar de 2026, 8h10
Por Márcio Rodrigo

Nesta quinta-feira (26/3) o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), por meio do Núcleo de Governança Fundiária (NGF), participou da reunião da Mesa Complementar de Diálogo – Escuta Ativa das Comunidades Quilombolas e suas lideranças, realizada em Alcântara. O encontro fez parte da programação da Semana da Paixão, realizada de 23 a 27/3 com diversos órgãos parceiros, e teve como pauta central a regularização fundiária e a titulação do território quilombola.

A reunião contou com a participação da coordenadora do NGF/TJMA, juíza Arianna Saraiva, além de representantes da Justiça Federal, Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU), Fundação Josué Montello e Governo do Maranhão, por meio da Uema. Lideranças de comunidades e agrovilas como Ponta Seca, Oitiua, Cajueiro, Marudá, Só Assim e Peru estiveram presentes, trazendo relatos sobre avanços e preocupações após a entrega do título coletivo de domínio de 45,9 mil hectares do Território Quilombola de Alcântara.

  • As lideranças destacaram que, após a divulgação da titulação, surgiram tentativas de ocupação irregular dentro da área reconhecida, o que poderia gerar disputas individuais por terras. Em resposta, os representantes dos órgãos presentes reforçaram que atuarão ao lado das comunidades tradicionais para combater invasões e acelerar a implementação de melhorias estruturais previstas pelo Projeto Viva Alcântara.

Durante sua fala, a juíza Arianna Saraiva explicou ponto a ponto a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que reconheceu violações sistemáticas contra 171 comunidades quilombolas de Alcântara. Ela ressaltou que todas as comunidades são partes lesadas e que o TJMA está comprometido em apoiar a implementação da mesa complementar de diálogo, oferecendo serviços essenciais como a emissão de documentos civis, registros de nascimento e casamento, além de outros, por meio dos parceiros, como carteira de identidade, regularização eleitoral e atendimentos de saúde.

A Facilitadora: Uma mulher branca, vestindo um blazer branco e calça marrom, está de pé no centro-fundo da sala. Ela segura uma prancheta ou tablet e parece coordenar a reunião, gesticulando enquanto fala para o grupo.  O Público: Há cerca de 20 pessoas sentadas em cadeiras universitárias distribuídas pelas laterais. O grupo é diverso, composto por homens e mulheres de diferentes idades, com uma presença majoritária de pessoas negras, muitas vestindo roupas casuais.

Juíza Arianna Saraiva durante diálogo com as comunidades tradicionais de Alcântara

Segundo a magistrada, essas ações não foram determinadas diretamente pela Corte, mas se alinham ao princípio da não repetição, garantindo que as comunidades não voltem a ser vítimas de violações.

Estamos aqui para instrumentalizar as comunidades, dando acesso a direitos, informações e serviços, para que possam se autodeterminar e decidir seus próprios caminhos”, afirmou.

A juíza também celebrou a conquista do título coletivo de terra, destacando a importância da consulta livre e informada para evitar conflitos. Ela explicou que os próximos passos incluem a demarcação da parte sul do território, considerada mais complexa, e tranquilizou as lideranças quanto às possíveis invasões, reforçando que a terra pertence às comunidades e que elas têm autonomia para se autogerir.

O professor Raimundo dos Remédios, representante da Agrovila Cajueiro, relembrou o processo de remanejamento ocorrido há cerca de 40 anos e destacou a relevância da titulação para garantir moradia e segurança jurídica. Ele ressaltou que, além da posse da terra, é fundamental preservar valores, tradições e a identidade quilombola, que constituem a essência da comunidade.

Professor Raimundo, à direita, gesticula com as mãos, durante fala na Mesa de Diálogo

Muita coisa melhorou com o apoio dos órgãos, mas temos, ainda, um longo caminho de enfrentamento das dificuldades postas”, declarou.

Já o juiz federal Hugo Abas Frazão (à direita na imagem abaixo) apresentou uma proposta inovadora para conciliar titulação coletiva e títulos individuais, com cláusulas de uso comum e garantias de inalienabilidade e impenhorabilidade. A ideia é assegurar que a propriedade seja administrada pela comunidade, respeitando sua ancestralidade e representatividade, sem abrir espaço para negociações que fragilizem os direitos coletivos.

O Homem (Direita): Veste um paletó azul marinho sobre uma camisa branca aberta no colarinho. Ele está em plena fala, com a boca aberta e as mãos gesticulando para enfatizar seu argumento. Ele segura uma caneta azul e tem um caderno de anotações sobre o braço da cadeira.  A Mulher (Esquerda): É a mesma mediadora das fotos anteriores, vestindo o blazer branco e calça marrom. Ela mantém uma expressão séria e atenta, ouvindo a fala do colega. Por baixo do blazer, ela usa uma camiseta branca com uma estampa que traz o nome "Alcântara" e menções a "Comunidades Quilombolas", o que contextualiza o propósito social e territorial do evento.

 

O encontro também reforçou a importância da união entre órgãos públicos e comunidades quilombolas para avançar na regularização fundiária e na proteção do território. A proposta é construir soluções conjuntas, respeitando a autodeterminação das comunidades e fortalecendo sua capacidade de gestão.

A mesa foi conduzida pelo supervisor do Núcleo de Prática Restaurativa da Justiça Federal no Maranhão, Silvio Brito, e contou ainda com a participação do juiz federal Wendelson Pessoa, do defensor público federal Yuri Costa, da procuradora da República Anne Caroline, além do diretor-presidente da Codevasf, Gil Cutrim, do professor Paulo Roberto, da Fundação Josué Montello, e do professor Marcelo Carvalho, representando a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Também estiveram presentes diversas autoridades e lideranças de associações quilombolas.

O Público: Há cerca de 20 pessoas sentadas em cadeiras universitárias distribuídas pelas laterais. O grupo é diverso, composto por homens e mulheres de diferentes idades, com uma presença majoritária de pessoas negras, muitas vestindo roupas casuais.

Silvio Brito conduz diálogo durante encontro com lideranças quilombolas de Alcântara

SEMANA DA PAIXÃO

A Semana da Paixão é fruto da união de esforços entre TJMA, Justiça Federal, Defensoria Pública, Ministério Público, Prefeitura de Alcântara, Governo do Maranhão, Sebrae, Sesi e outros parceiros. O objetivo é aproximar serviços públicos da comunidade, garantindo direitos e promovendo desenvolvimento sustentável.

A iniciativa dá continuidade ao Projeto Viva Alcântara – Desenvolvimento Sustentável, iniciado em novembro de 2024, que amplia o debate sobre agroextrativismo, ecoturismo, proteção dos manguezais, artesanato, turismo cultural e religioso, arranjos produtivos locais, antropologia e memória.

Nesta sexta-feira (27/3), o encerramento será marcado pelo Eixo IV – Fé, Cultura e Patrimônio, com atividades culturais, religiosas e a instalação solene da Mesa Complementar de Diálogo voltada às comunidades quilombolas.

Confira a programação completa do evento.

 

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