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ESMAM promove capacitação sobre aplicação de IA nas rotinas administrativas do Arquivo Judicial

Formação aborda classificação documental, análise de dados e segurança da informação

Publicado em 25 de Jun de 2026, 8h00. Atualizado em 24 de Jun de 2026, 18h24
Por Flávia Brandão

A Escola Superior da Magistratura do Maranhão realizou, nos dias 23 e 24 de junho, no Fórum Desembargador Sarney Costa, em São Luís, o curso “Inteligência Artificial aplicada às rotinas administrativas de arquivo judicial”, voltado à capacitação de servidores do Tribunal de Justiça do Maranhão que atuam na área de gestão documental.

Com carga horária de 16 horas e metodologia presencial, a formação teve como objetivo preparar os participantes para o uso estratégico e prático de ferramentas de Inteligência Artificial (IA), contribuindo para a modernização das rotinas administrativas, otimização de processos e melhoria na prestação jurisdicional.

A iniciativa está alinhada às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que orienta o uso ético, responsável e eficiente da IA no Poder Judiciário, além de reforçar a importância da capacitação contínua dos servidores diante das transformações tecnológicas.

Durante o curso, foram abordados conteúdos como fundamentos da Inteligência Artificial, engenharia de prompts, automação de tarefas, análise de dados, comunicação oficial com apoio de IA, além de aspectos relacionados à segurança da informação e à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A programação também incluiu atividades práticas e estudos de caso, permitindo aos participantes aplicar, na prática, soluções voltadas à classificação, triagem e organização de documentos arquivados, além da automação de tarefas repetitivas, contribuindo para maior eficiência no gerenciamento do acervo judicial.

O formador do curso, Ricardo Dias Moreira, destacou que a Inteligência Artificial pode transformar o Arquivo Judicial em três frentes principais: triagem, organização da informação e valorização do trabalho humano. Segundo ele, na etapa de triagem para eliminação, a tecnologia pode auxiliar na pré-classificação dos processos com base em critérios objetivos, como prazos prescricionais e classes processuais, reduzindo o trabalho manual e o risco de erros.

Outro ponto destacado foi o impacto no papel dos servidores. Para Ricardo Dias, a tecnologia contribui para a valorização profissional ao reduzir tarefas repetitivas.

“Quando a tecnologia assume o trabalho repetitivo, o servidor do arquivo deixa de ser um operador de pastas e passa a ser um gestor da informação judicial. Ele cresce na função. Por isso eu sempre faço questão de dizer: A IA é uma ferramenta de apoio, não autoridade. A decisão, o critério e a responsabilidade continuam sendo de quem entende do acervo. A inteligência artificial só devolve tempo para que esse conhecimento seja melhor aproveitado”, enfatizou.

Para o auxiliar judiciário da Divisão de Arquivo do Fórum Desembargador Sarney Costa, Raimundo Lisboa, a capacitação representa um avanço significativo no desempenho das atividades diárias.

“Capacitações como essa nos ajudam na automatização das tarefas repetitivas, além de melhorar a organização dos documentos. Assim, conseguimos atender com mais celeridade às demandas das unidades judiciais, administrativas e do público externo. Isso nos permite prestar um serviço ainda mais eficiente e eficaz”, destacou.

A chefe da Divisão de Arquivo do Fórum Desembargador Sarney Costa, Flávia Lyss Barros Leite, também ressaltou o impacto da tecnologia no contexto do Judiciário.

“A Inteligência Artificial tem um potencial enorme para desafogar o Judiciário. No Arquivo Judicial não é diferente, pois a IA chega para agregar aos serviços já ofertados, permitindo maior agilidade no trabalho. Podemos melhorar em todos os aspectos, desde o atendimento inicial até o resultado final”, afirmou.

Segundo a participante, o uso da IA possibilita ainda maior fluidez nas atividades, especialmente diante do grande volume de processos. “Com a tecnologia, é possível analisar grandes quantidades de dados de forma mais rápida, o que contribui diretamente para a eficiência do setor”, completou.

 

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