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ESMAM e CNJ discutem ações formativas para promoção da diversidade e fortalecimento do acesso à magistratura

Instituições alinham projetos educacionais voltados ao fortalecimento da diversidade no sistema de justiça e à qualificação da atuação judicial

Publicado em 18 de Jun de 2026, 9h00. Atualizado em 18 de Jun de 2026, 17h41
Por Bruna Castro

Representantes da Escola Superior da Magistratura do Maranhão (ESMAM), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Comitê de Diversidade do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) reuniram-se nesta terça-feira (17) para discutir a implementação de novas ações formativas voltadas à promoção da diversidade no sistema de justiça e ao fortalecimento das políticas de inclusão no âmbito do Poder Judiciário. 

O encontro teve como objetivo alinhar propostas de cursos que serão desenvolvidos em parceria entre as instituições, contemplando tanto a formação continuada da magistratura quanto iniciativas destinadas ao público externo, especialmente pessoas negras, indígenas e quilombolas interessadas no ingresso na carreira da magistratura. 

Participaram da reunião o secretário-geral da ESMAM, Carlos Belo; a coordenadora pedagógica de Formação e Aperfeiçoamento, Hozana Fernandes Costa; a chefe da Divisão de Projetos Institucionais, Rayane de Sousa Lira; a juíza Elaile Silva Carvalho, coordenadora do Comitê de Diversidade do TJMA;  da juíza Luana Santana, diretora de Promoção da Igualdade Racial da Associação dos Magistrados do Maranhão (AMMA) e voluntária do Comitê de Diversidade do TJMA; representantes do Programa Justiça Plural do CNJ, entre eles a juíza do trabalho Adriana Melonio, gestora do programa e juíza auxiliar da Presidência do CNJ; além de integrantes da equipe técnica do Conselho. 

Durante a reunião, foram debatidas estratégias para ampliar a representatividade racial na magistratura brasileira, em consonância com as políticas afirmativas adotadas pelo CNJ e com as Resoluções nº 454/2022 e nº 599/2024, que tratam do acesso à justiça para povos indígenas e da Política Judiciária de Atenção às Comunidades Quilombolas. 

Entre as propostas discutidas está a oferta de um novo curso voltado à capacitação de magistrados e magistradas para atuação em questões relacionadas aos direitos de povos indígenas e comunidades quilombolas, além da construção de uma formação preparatória destinada ao público externo, com foco em incentivar e apoiar candidaturas de pessoas negras, indígenas e quilombolas aos concursos da magistratura. 

Para a juíza Luana Santana (de terno branco, na foto), a parceria representa um passo importante para ampliar a diversidade no sistema de justiça e fortalecer ações afirmativas no Poder Judiciário. 

“A reunião permitiu avançarmos na construção de ações afirmativas em parceria com o CNJ e a ESMAM, com o objetivo de ampliar a presença de pessoas negras na magistratura. Também discutimos a criação de formações voltadas às pautas indígenas e quilombolas, incluindo experiências de imersão nesses territórios, para proporcionar aos magistrados uma compreensão mais aprofundada das realidades e especificidades dessas comunidades”, destacou.  

Os encaminhamentos definidos servirão de base para a estruturação das formações, que deverão ser implementadas a partir do segundo semestre deste ano. 

Participaram ainda da reunião; Polliana Alencar, vice-coordenadora-geral do Programa Justiça Plural; Natália Dino, gerente de projetos da Secretaria-Geral do CNJ e gestora substituta do programa; Raissa Alves, associada de pesquisa do Programa Justiça Plural; Vanessa Barbosa, associada de apoio técnico do programa. 

SOBRE O CURSO 

Uma das propostas em construção é o curso “Justiça Intercultural e Pluriétnica: Aplicação das Resoluções CNJ 454/2022 e 599/2024 no Sistema de Justiça e a Garantia dos Direitos Indígenas e Quilombolas”, destinado à magistratura do Tribunal de Justiça do Maranhão. 

A formação tem como objetivo aprimorar a atuação judicial na garantia dos direitos territoriais, culturais, coletivos e processuais de povos indígenas e comunidades quilombolas, a partir de uma abordagem intercultural fundamentada nas diretrizes do Conselho Nacional de Justiça. 

O curso prevê aulas ministradas por formadores indígenas e quilombolas, além de experiências imersivas em territórios indígenas e comunidades quilombolas. A proposta busca proporcionar uma compreensão mais aprofundada das realidades socioculturais desses povos, fortalecendo a construção de decisões judiciais mais sensíveis, inclusivas e alinhadas às políticas nacionais de acesso à justiça. 

A iniciativa também valoriza a experiência do Tribunal de Justiça do Maranhão na mediação de conflitos fundiários e na regularização de territórios quilombolas, contribuindo para a disseminação de boas práticas e para o fortalecimento das políticas judiciárias voltadas às comunidades tradicionais.

Após a reunião, parte da comitiva do CNJ visitou a Biblioteca da ESMAM para conhecer o acervo dedicado às temáticas de diversidade, inclusão, direitos humanos e equidade. A atividade evidenciou o compromisso da Escola com a valorização de iniciativas que promovem o debate e a reflexão sobre a construção de um sistema de justiça mais plural e inclusivo.

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