A Escola Superior da Magistratura do Maranhão (ESMAM) realizou, nos dias 14 e 15 de maio, o curso “Saúde Mental e Atenção Integral ao Adolescente em Cumprimento de Medida Socioeducativa”, com o objetivo de contribuir para o aprimoramento da atuação de magistradas e magistrados na apuração de atos infracionais e na execução das medidas socioeducativas, com foco na garantia do acesso à saúde mental de adolescentes e jovens em conflito com a lei.
Ministrado pela professora Jalusa Silva de Arruda, o curso abordou os principais marcos legais e normativos que asseguram o direito à saúde como garantia fundamental, com destaque para a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE) e a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes em Conflito com a Lei (PNAISARI).
Jalusa Silva de Arruda destacou que o direito à saúde, incluindo a saúde mental, constitui garantia fundamental de crianças e adolescentes e deve ser compreendido de forma ampla, abrangendo o bem-estar físico, mental, emocional e as condições sociais e ambientais necessárias ao desenvolvimento integral. Segundo a docente, a Política Judiciária Antimanicomial, instituída pela Resolução nº 487/2023 do CNJ, representa um importante marco ao estabelecer que o cuidado em saúde mental deve ocorrer em liberdade, de forma territorializada e articulada com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

“É fundamental que os magistrados e magistradas estejam atentos à política judiciária antimanicomial e como ela funciona na justiça juvenil e no sistema socioeducativo para que seja possível garantir os direitos do adolescente e dar condições de restabelecimento da saúde com um cuidado que não viole esses direitos”, destacou.
A relevância do tema ganha especial destaque no mês de maio, que celebra hoje (18), o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. A data reafirma a importância de políticas públicas e práticas institucionais comprometidas com a dignidade da pessoa humana, a desinstitucionalização e a garantia de cuidado em liberdade. Nesse contexto, o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), por meio da Unidade de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (UMF), vem desenvolvendo ações alinhadas à pauta antimanicomial, em consonância com a Resolução nº 487/2023 do CNJ.
Participante da capacitação, a chefa da Divisão do Sistema Socioeducativo da UMF/TJMA, Ana Letícia Barbosa Lima, destacou a relevância do curso diante dos desafios enfrentados pelo sistema de justiça em casos que envolvem adolescentes com demandas em saúde mental.
“Essa formação nos convida a refletir sobre alternativas de cuidado para adolescentes inseridos no sistema socioeducativo, especialmente diante das limitações ainda existentes na rede de atendimento. O curso contribui para a construção de soluções pautadas no respeito aos direitos humanos e nos princípios da política antimanicomial”, afirmou.
Também participante do curso, a servidora do Ministério Público do Maranhão, Anne Mary Reis, ressaltou que a capacitação amplia a compreensão sobre a efetividade das medidas socioeducativas e a necessidade de considerar as particularidades de cada adolescente.

“A temática é extremamente relevante, sobretudo porque muitos adolescentes em conflito com a lei ainda são invisibilizados e não têm acesso adequado às políticas públicas. O curso nos faz refletir sobre a aplicação das medidas socioeducativas e sobre a importância de garantir, na prática, os direitos assegurados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pela Constituição Federal”, pontuou.
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