Os juízes e as juízas da VIII Turma do Curso de Formação Inicial para Juiz Substituto da Carreira da Magistratura Maranhense participaram, nesta segunda-feira (27), de uma visita técnica ao Complexo Penitenciário de São Luís, promovida como parte das atividades práticas da formação conduzida pela Escola Superior da Magistratura do Maranhão (ESMAM). A iniciativa possibilitou aos novos magistrados conhecerem de perto a realidade do sistema prisional do estado, as políticas de ressocialização desenvolvidas e as frentes de trabalho implementadas dentro das unidades prisionais.
Durante a programação, o grupo visitou diferentes estruturas do sistema penitenciário, incluindo o Complexo Penitenciário de São Luís, a Unidade Prisional de Ressocialização Feminina, reconhecida nacionalmente como referência em gestão e ressocialização, além da Unidade Prisional de Ressocialização (UPR) que desenvolve atividades de piscicultura. A atividade integrou o eixo prático da formação, aproximando os magistrados das dinâmicas institucionais relacionadas à execução penal e ao acompanhamento das pessoas privadas de liberdade.
A visita foi acompanhada pelo desembargador Francisco Ronaldo Maciel Oliveira, coordenador-geral da Unidade de Monitoramento, Acompanhamento, Aperfeiçoamento, Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (UMF/TJMA), que destacou os avanços alcançados pelo Maranhão no sistema prisional e a importância de apresentar essa realidade aos magistrados recém-empossados.
Ao contextualizar o trabalho realizado no Estado, o desembargador ressaltou que o Maranhão se tornou referência nacional no cumprimento de pena e nas políticas de humanização do sistema carcerário.
“O Maranhão hoje é exemplo para o Brasil no cumprimento de pena e no sistema carcerário de pessoas privadas de liberdade. Aqui eles estão privados da liberdade, mas não da sua dignidade. Temos cerca de 80% dos presos trabalhando, estudando e aprendendo uma profissão, o que fortalece o processo de ressocialização e reinserção social”, afirmou o desembargador.
Segundo o magistrado, o sistema penitenciário maranhense passou por profundas transformações nos últimos anos. Ele destacou iniciativas como a Central de Regulação de Vagas, considerada a primeira do Brasil, além do fato de que 17 dos 30 melhores presídios do país estão localizados no Maranhão.
VISITA TÉCNICA
Durante o percurso, os magistrados e magistradas puderam conhecer projetos produtivos e educacionais desenvolvidos nas unidades, incluindo fábricas instaladas dentro do sistema penitenciário e atividades de capacitação profissional. Uma das áreas visitadas foi a produção de peixes por meio da piscicultura, iniciativa que alia formação profissional, ressocialização e ações de impacto social.

De acordo com o desembargador Ronaldo, a visita técnica representa uma etapa essencial para que os novos juízes compreendam de maneira concreta a realidade que envolve a execução penal no estado.
“Era fundamental que os juízes conhecessem essa realidade. Muitos deles vieram de outros estados e precisam compreender o contexto do Maranhão, a estrutura existente e o trabalho desenvolvido dentro do sistema penitenciário. Essa experiência prática contribui para decisões mais conscientes e alinhadas à realidade vivida nas unidades prisionais”, destacou.
A experiência também foi destacada pelos participantes da formação inicial, que puderam observar de forma prática as políticas de ressocialização e a estrutura das unidades. Para a juíza Kalita de Castro Rodrigues, aluna do curso, a atividade representa um contato necessário com a realidade que fundamenta a atuação jurisdicional.
“A visita técnica às unidades prisionais, presente no cronograma de nossa formação inicial, é um mergulho necessário. Ter o contato direto com uma estrutura que prioriza a organização e a dignidade humana nos permite reafirmar, com convicção, a crença na ressocialização”, afirmou.
A magistrada destacou a articulação entre o Poder Executivo e o Tribunal de Justiça na implementação de políticas públicas voltadas à reinserção social das pessoas privadas de liberdade.

A juíza ressaltou que as frentes de trabalho desenvolvidas nas unidades prisionais representam mais do que uma atividade ocupacional, constituindo instrumentos de fortalecimento da identidade e de preparação para o retorno ao convívio social. Projetos como a piscicultura, segundo ela, demonstram como os ciclos produtivos podem associar eficiência administrativa, qualificação profissional e impacto social, ao beneficiar comunidades em situação de vulnerabilidade.
“Essa experiência é um divisor de águas. Esse olhar ressocializador e humanista não deve ser um elemento acessório, mas o alicerce da nossa prática jurisdicional. Compreender o sistema para além do papel nos confere a sensibilidade necessária para aplicar a lei de forma que ela cumpra seu papel social de punir com justiça, mas, acima de tudo, oferecer as ferramentas para que o indivíduo não precise retornar ao cárcere”, finalizou.
A atividade também contou com a presença do servidor Miguel Antonio Figueiredo Moyses, coordenador executivo da Unidade de Monitoramento, Acompanhamento, Aperfeiçoamento e Fiscalização do Sistema Carcerário; do secretário de Administração Penitenciária, Murilo Andrade de Oliveira; do secretário adjunto de Modernização e Articulação Institucional, Bruno Luiz Teixeira; e do secretário adjunto de Trabalho e Renda, Antonio Felipe Gomes Duarte de Farias.
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