A Escola Superior da Magistratura do Maranhão (ESMAM) deu continuidade, nesta sexta-feira (27), à programação da Conferência Regional da International Association of Women Judges (IAWJ) – América Latina e Caribe, reunindo magistradas de diversos países para debater equidade de gênero, justiça e liderança feminina no sistema de justiça.
O último dia do evento teve início com uma oficina de samba, com o professor de dança Dennis Adam, atividade opcional voltada à integração e ao bem-estar das participantes, reforçando o caráter acolhedor e colaborativo da conferência. Em seguida, a programação foi marcada pela apresentação de boas práticas e agendas regionais de igualdade, destacando possibilidades concretas de transformação no âmbito do Poder Judiciário.
Entre os destaques da manhã, o painel conduzido pela juíza do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região, Andrea Keust abordou o tema “Assédio e Poder na Magistratura: prevenção, governança e cultura institucional”, promovendo uma reflexão sobre práticas ainda naturalizadas no ambiente institucional. Durante sua exposição, a magistrada chamou atenção para formas sutis e estruturais de violência.
“O silenciamento da fala e a falsa neutralidade ainda permeiam nossas instituições, exigindo de nós uma postura ativa de transformação dessas estruturas”, pontou.
A magistrada também enfatizou a importância de políticas institucionais, formação de gestores e acolhimento das vítimas como caminhos para o enfrentamento efetivo do assédio.
Na sequência, a juíza Renata Maximiano, do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, apresentou o projeto “Elas em Pauta”, iniciativa voltada à promoção da equidade de gênero no âmbito da Justiça do Trabalho. A magistrada destacou o caráter institucional da proposta, que prioriza processos envolvendo mulheres, conferindo visibilidade a demandas historicamente invisibilizadas.
“Antes de sermos juízas, somos trabalhadoras e sabemos como a desigualdade impacta o mercado de trabalho. O projeto surge para dar visibilidade às causas sensíveis das mulheres e promover uma atuação com perspectiva de gênero”, afirmou. A juíza também ressaltou a importância de práticas como a mediação qualificada e a escuta ativa, garantindo às mulheres um espaço seguro de fala e evitando processos de revitimização.

A conferência teve continuidade, após o intervalo, com uma programação voltada ao fortalecimento da igualdade de gênero no sistema de justiça e à troca de experiências entre magistradas de diferentes países. A mesa foi coordenada pela desembargadora Gabriela Albuquerque, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que conduziu os debates reunindo representantes da Argentina, Brasil e Peru.
Entre as exposições, a argentina María Sofía Sagues abordou as ferramentas do Poder Judiciário no enfrentamento à discriminação estrutural contra a mulher, destacando a necessidade de decisões com vocação transformadora.

“A igualdade de gênero nos espaços de poder não é apenas uma agenda institucional, mas parte da própria essência da justiça que ainda estamos construindo”, ponderou.
Na sequência, Maria Laura Altamiranda tratou da saúde das mulheres juízas no exercício da função judicial, evidenciando os desafios enfrentados no cotidiano profissional e os impactos institucionais decorrentes dessas condições.
Representando o Brasil, a magistrada Rejane Jungbluth Suxberger apresentou a atuação do Coletivo Candangas, iniciativa do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, voltada à promoção da paridade de gênero na magistratura. Durante sua fala, Rejane resgatou o simbolismo histórico das mulheres que ajudaram a construir Brasília e destacou a importância da união feminina no Judiciário.
“Nós somos mulheres que construímos o Judiciário todos os dias e precisamos brigar para estar sentadas à mesa e tomar as nossas decisões. Sozinhas somos alvos, mas juntas somos força”, destacou.
Ainda no painel, a palestrante Christel Lambert abordou a liderança feminina no Judiciário como instrumento essencial para a promoção da igualdade, enquanto Natália Molina trouxe reflexões sobre a ciberdelinquência sob a perspectiva de gênero, destacando estratégias de prevenção, responsabilização e garantia de direitos.
A programação contou ainda com a participação, de forma remota, da presidenta do Poder Judiciário do Peru, Janet Tello Gilardi, que ressaltou a relevância do debate regional. “Estamos seguros de que será um valioso espaço de reflexão e diálogo sobre temas tão importantes como liberdade, feminismo, o acesso das mulheres à justiça e o mapeamento de gênero nos sistemas judiciais”.
ENCERRAMENTO
O painel de encerramento foi conduzido pela desembargadora Sônia Amaral e contou com a palestra da ministra Maria Elizabeth Rocha, do Superior Tribunal Militar, que reforçou a importância da representatividade feminina nos espaços de poder.

Durante sua fala, a ministra destacou o caráter estrutural da desigualdade de gênero e a necessidade de enfrentamento contínuo:
“A igualdade de gênero nos espaços de poder não é apenas uma agenda institucional, mas parte da própria essência da justiça que ainda estamos construindo”, finalizou.
Núcleo de Comunicação da ESMAM
Instagram: @esmam_tjma
Facebook: @esmam.tjma
Youtube: @eadesmam
E-mail: asscom_esmam@tjma.jus.br
Telefone: (98) 2055-2800