O Programa Novos Caminhos constitui uma importante política judiciária voltada à promoção da autonomia e à inclusão social de adolescentes em situação de acolhimento institucional, especialmente aqueles com reduzidas perspectivas de reintegração familiar ou adoção.
Sua origem está vinculada à atuação do Conselho Nacional de Justiça, que, atento aos desafios enfrentados por adolescentes em processo de desinstitucionalização, estruturou o programa como uma estratégia nacional permanente. A iniciativa se consolidou no contexto do fortalecimento do direito à convivência familiar e comunitária e da necessidade de preparar esses jovens para a vida adulta, em consonância com diretrizes como a Recomendação nº 61/2020 e, posteriormente, com a Resolução nº 543/2024, que institui a política judiciária de atenção a adolescentes e jovens acolhidos.
O programa tem como eixo central a profissionalização e inserção no mercado de trabalho, por meio da articulação entre o Sistema de Justiça, o setor produtivo e instituições parceiras, promovendo oportunidades concretas de capacitação, emprego e desenvolvimento de autonomia.
No âmbito estadual, o Tribunal de Justiça do Maranhão formalizou sua adesão ao programa a partir de Termo de Cooperação Técnica firmado com o CNJ em agosto de 2025. Essa adesão marca a internalização da política nacional no contexto maranhense, com a definição de responsabilidades institucionais e o compromisso de implementação de ações estruturadas voltadas aos adolescentes acolhidos.
A coordenação local do programa foi atribuída à Coordenadoria da Infância e da Juventude do TJMA, que assumiu papel estratégico na articulação, planejamento e execução das ações. No modelo adotado, a CIJ atua como instância central de governança, responsável por:
- estruturar o plano de trabalho e o modelo operacional do programa no estado;
- articular parcerias com instituições públicas e privadas;
- acompanhar e monitorar os adolescentes participantes;
- fomentar a criação de oportunidades de qualificação e inserção profissional;
- integrar magistrados e a rede de proteção no fortalecimento da política de desinstitucionalização.
A implementação no Maranhão teve início na Comarca da Ilha de São Luís, a partir de diagnóstico da realidade local, identificando adolescentes acolhidos com necessidade de preparação para o desligamento institucional. O programa foi estruturado em etapas que envolvem diagnóstico, capacitação, acompanhamento e, por fim, inserção no mundo do trabalho, sempre com foco no desenvolvimento integral e na construção da autonomia dos jovens.
Assim, o Novos Caminhos, consolida-se como uma iniciativa que vai além da proteção institucional, promovendo oportunidades reais de futuro, ao integrar políticas públicas, sistema de justiça e sociedade civil na construção de trajetórias mais dignas para adolescentes em situação de acolhimento.

