Mais de 30% da população brasileira sofre com dor crônica, segundo estatísticas do Ministério da Saúde; um em cada três adultos apresenta algum problema reumatológico; e cerca e 1,7 bilhão de pessoas vivem com essas doenças no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Os dados foram apresentados pelo reumatologista Gabriel Lago, durante palestra alusiva à Campanha Fevereiro Roxo, nesta quarta-feira (25/2), no Fórum Des. Sarney Costa (Calhau), em São Luís. O evento integra o projeto Dire Apoia, desenvolvido pela direção do órgão.
Fevereiro Roxo, movimento nacional de conscientização sobre Lúpus, Fibromialgia e Alzheimer, no Fórum de São Luís foi promovido em parceria com a Escola Superior da Magistratura do Maranhão (ESMAM). O evento, voltado para servidores, servidoras, magistrados, magistradas, colaboradores e demais operadores do Direito, ocorreu pela manhã, na Sala de Treinamento do Fórum. O Dire Apoia este mês também faz alusão à campanha Fevereiro Laranja de combate à Leucemia.
Na abertura do evento, a diretora do Fórum de São Luís, juíza Andréa Furtado Perlmutter Lago, falou sobre a importância do projeto Dire Apoia e disse que são realizadas ações mensais de acordo com a campanha do mês, a exemplo do Janeiro Branco (saúde mental), Março Lilás (câncer de colo de útero) Abril Verde e Azul (saúde e segurança no trabalho), Maio Laranja (combate ao abuso e exploração sexual de crianças), Junho Vermelho e Violeta (doação de sangue), Julho Amarelo (hepatites virais), Agosto Lilás e Dourado (violência contra a mulher), Setembro Amarelo (prevenção ao suicídio), Outubro Rosa (câncer de mama), Novembro Azul (câncer de próstata e diabetes) e Dezembro Vermelho (HIV/AIDS).
Durante a palestra “Fibromialgia e Lúpus no Serviço Público”, o reumatologista Gabriel Lago esclareceu sobre essas doenças e o impacto social, psicológico, econômico e laboral que causam; apresentou a nova legislação sobre fibromialgia; os direitos de pessoas com lúpus; destacou a importância da inclusão e adaptações no setor público, entre outras informações.
O médico afirmou que as doenças reumáticas são a principal causa de incapacidade física; uma das maiores causas de afastamento do trabalho e aposentadoria precoce; além de gerarem altos custos com consultas, exames, medicações, absenteísmo, perda de produtividade e invalidez. O reumatologista também destacou que a dor crônica está fortemente associada a problemas como depressão, ansiedade e distúrbios do sono.
Ao falar sobre fibromialgia, o Gabriel Lago lembrou que é uma síndrome de dor crônica generalizada; que não é inflamação, não é autoimune e também não é psicológico; e está associada à fadiga, sono ruim, memória e concentração prejudicadas; e que 2% a 7% da população têm a doença. Ele disse que não há relação com demência ou Alzheimer, que a fibromialgia causa distúrbio no humor que é um dos principais gatilhos para a dor. Afirmou também que o diagnóstico é clínico e exige uma abordagem multidisciplinar. “O exercício físico é a melhor evidência da melhoria da dor no paciente”, garantiu. O reumatologista afirmou, ainda, que o paciente entender a dor e saber como descrevê-la é muito importante para o diagnóstico e o tratamento.
Gabriel Lago explicou sobre a legislação que reconhece a fibromialgia como deficiência quando há limitação funcional, além de permitir acesso a direitos da pessoa com deficiência (Lei federal nº 14705/2023) e apresentou também as leis municipais (São Luís) nº 7788/2023 (garante atendimento prioritário a pacientes com fibromialgia, alzheimer e lúpus em órgãos públicos e empresas concessionárias) e nº 7279/2023 (uso de vaga em estacionamento e emissão de cartão de identificação pela Secretária de Trânsito e Transporte).
Durante a palestra, o médico esclareceu também sobre lúpus, uma doença autoimune sistêmica crônica e muito grave, que pode atingir os rins, pele, articulações, sistema nervoso central, coração e pulmão, predominante em mulheres jovens. Segundo ele, a doença pode levar à incapacidade funcional temporária ou permanente. Entre os sinais de alerta para a doença, o reumatologista destaca fadiga intensa, dor e inchaço nas articulações, manchas na pele, queda de cabelo e, nos casos mais graves, alterações renais. Ele disse que não existe um exame único para identificar lúpus e que o diagnóstico é baseado nos sintomas clínicos, exames laboratoriais e critérios ACR/EULAR (sistema de pontuação atualizado para o diagnóstico de Lúpus Eritematoso Sistêmico).
De acordo com Gabriel Lago o diagnóstico precoce do lúpus reduz a mortalidade e o tratamento precoce salva órgãos e vidas. O reumatologista também afirmou que campanhas como Fevereiro Roxo contribuem para a divulgação de informações que ajudam as pessoas a reconhecerem sintomas e buscarem atendimento o mais rápido possível. “Conscientização é a primeira forma de tratamento; a divulgação da forma da doença é muito importante para o diagnóstico precoce”, garantiu.
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