O Poder Judiciário do Maranhão, por meio do Tribunal de Justiça, da Corregedoria Geral da Justiça e da Coordenadoria da Infância e Juventude (TJMA), publicou o Ato Normativo Conjunto 7/2025, no qual regulamenta o Projeto “Na Trilha da Proteção Integral”, enquanto política institucional permanente de apoio técnico, formação continuada e articulação interinstitucional na área da Infância e Juventude no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, cuja execução é de responsabilidade da Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ).
O documento tem a assinatura do Presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Froz Sobrinho, do corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Almeida, e da Presidente da Coordenadoria da Infância e Juventude do TJMA, desembargadora Maria Francisca Gualberto de Galiza, e leva em consideração o artigo 227 da Constituição Federal, que impõe ao Estado, à família e à sociedade o dever de assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária, bem como de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
Considera, ainda, a Resolução nº 05, de 14 de abril de 2010, do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, que criou a Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ/MA) e estabeleceu as suas atribuições, dentre as quais o suporte aos magistrados e servidores e a promoção de articulação interna e externa da Justiça da Infância e da Juventude. Por fim, destaca a necessidade de que o Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão se torne mais acessível e eficaz, promovendo a troca de experiências e o aprimoramento da atuação profissional em temas sensíveis como destituição do poder familiar, medidas de proteção e adoção, visando a celeridade e a maior eficiência dos processos judiciais cíveis da infância e juventude.
Diz o documento: “Este Ato Normativo Conjunto regulamenta o Projeto ‘Na Trilha da Proteção Integral’, enquanto política institucional permanente de apoio técnico, formação continuada e articulação interinstitucional na área da Infância e Juventude no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão (TJMA), cuja execução é de responsabilidade da Coordenadoria da Infância e Juventude (…) O projeto caracteriza-se como um conjunto estruturado de ações estratégicas, formativas e orientativas, desenvolvido com a finalidade precípua de uniformizar a aplicação do Direito Infantojuvenil, disseminar o conhecimento especializado e qualificar, de forma abrangente, os profissionais integrantes do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA)”.
ATUAÇÃO NAS COMARCAS
O projeto tem direcionamento prioritário à disseminação de conhecimento e das melhores práticas processuais e de atendimento às Comarcas do Estado do Maranhão que demonstrem dificuldades ou desafios na aplicação uniforme dos protocolos, guias e fluxos legais, especialmente aqueles temas sensíveis e de alta complexidade processual, incluindo, mas não se limitando, à gestão precisa e contínua do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA). “A atuação institucional no âmbito do projeto deverá promover a articulação plena entre todos os atores do SGDCA, facilitando encontros formativos e oferecendo suporte técnico detalhado aos profissionais que trabalham diretamente na garantia dos direitos de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e risco”, esclarece o Ato.
São objetivos específicos do Projeto “Na Trilha da Proteção Integral” apresentação e debate das principais atualizações legislativas, regulamentares e infralegais que impactam diretamente os direitos infantojuvenis e os procedimentos judiciais a eles relacionados, garantindo a constante atualização técnica e jurídica do SGDCA, a promoção de espaços orientativos e formativos que abordem, com profundidade técnica e responsabilidade social, as diversas dimensões dos direitos de crianças e adolescentes, com especial atenção aos temas demandantes de alta complexidade processual.
Busca, ainda, oferecer orientação técnica detalhada à rede de proteção local sobre os procedimentos e fluxos a serem seguidos em casos de violação de direitos, e notadamente quanto aos protocolos de apoio e encaminhamento para os casos de entrega voluntária de bebês por gestantes e puérperas. O público-alvo a ser contemplado pelas ações de capacitação, orientação e diálogo promovidos no âmbito do projeto abrange todos os profissionais e entes que atuam de forma direta ou indireta no sistema de justiça e na rede de proteção da Infância e da Juventude.
ATORES DO PROJETO
Entre esses atores estão magistrados e magistradas investidos de competência plena ou residual em infância e juventude nas Comarcas contempladas pela ação, servidores e servidoras que executam atividades nas unidades judiciais com competência na área, limitados àqueles indicados formalmente pelos respectivos juízes titulares para a adequada absorção do conteúdo programático e replicabilidade na Comarca, membros do Ministério Público e da Defensoria Pública que atuem nas ações cíveis e protetivas que versem sobre direitos infantojuvenis, buscando a articulação e uniformidade de procedimentos, advogados e advogadas que militam na comarca contemplada, buscando aprimoramento de sua atuação profissional em face das modificações legislativas e das práticas judiciais.
Os outros atores do processo são os pretendentes à adoção que estejam em fase de habilitação na Comarca, os quais serão beneficiados pelo Curso Preparatório obrigatório ministrado quando da realização do projeto, os profissionais e servidores da rede de saúde, em especial das maternidades, postos de saúde e hospitais, bem como da rede de proteção local, incluindo Conselhos Tutelares e demais órgãos formalmente integrantes do SGDCA local; e os profissionais que compõem as equipes técnicas e operacionais dos Serviços de Acolhimento local, sejam eles institucionais ou familiares.
Abaixo, o Ato Normativo na íntegra.
Assessoria de Comunicação
Corregedoria Geral da Justiça
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