TJMA lança nova campanha elaborada por Divisão Odontológica

Nesta edição de outubro, a odontóloga Taíssa Leite conta o que as pessoas devem saber sobre a relação entre enxaguantes bucais e Covid-19
09/10/2020
Paulo Lafene

Como parte da iniciativa de utilizar as divisões de sua Coordenadoria de Serviço Médico, Odontológico e Psicossocial, coordenada pelo médico José Luís Araújo, para compartilhar informações e dicas de saúde para a população em geral – e não apenas para servidores e magistrados do Poder Judiciário – o Tribunal de Justiça do Maranhão lança mais uma campanha de interesse público: Dicas de Saúde Bucal, elaborada pela Divisão Odontológica do TJMA, chefiada pelo odontólogo Rafael Silva Santos.

A campanha, de periodicidade mensal, apresenta, em sua primeira edição, o tema “Enxaguantes Bucais e a Covid-19: o que você precisa saber”, de autoria da odontóloga Taíssa Leite.

Na introdução, a autora nos conta que muito tem se falado sobre a estrutura do novo coronavírus (SARS-CoV-2), mais especificamente sobre o envelope de gordura (membrana) que ‘circunda esse vírus’ (ou o seu material genético) e onde estão localizados os receptores de união às células humanas.

Por isso, Taíssa destaca a ênfase na lavagem das mãos com água e sabão e/ou o uso de álcool em gel a 70%, uma vez que essas atitudes são capazes de romper a membrana, tornando o vírus incapaz de adesão às células humanas e consequentemente, evitando-se a infecção.

A odontóloga lembra que outra conduta que tem sido indicada, como forma de reduzir o risco de contaminação, por também atuar quimicamente sobre a membrana do vírus, é a limpeza de superfícies com álcool líquido a 70% ou com água sanitária, amplamente usada nas residências.

“O efeito do álcool líquido a 70% é o mesmo do álcool em gel. Já a água sanitária, mais especificamente o hipoclorito de sódio contido nela, é capaz de oxidar e alterar a estrutura química da membrana e, desta forma, tornar o vírus incapaz de se ligar às células humanas”, acrescenta Taíssa.

Para ela, ao que parece, no dia a dia, é extremamente importante se travar uma guerra química contra o vírus com o intuito de “desintegrar” a sua membrana e, assim, incapacitá-lo. A profissional da Divisão Odontológica diz que há evidências que essa membrana de “gordura” é o ponto fraco do vírus. Portanto, destruí-la ou alterá-la é uma estratégia virucida.

ENXAGUANTES x COVID-19

Mas, afinal, o que tudo isso tem a ver com a Odontologia e o uso de enxaguantes bucais? “Todas essas formas de destruição da membrana externa do novo coronavírus, cientificamente comprovadas, acenderam uma luz na Odontologia, no sentido de encontrar alguma solução para bochecho (enxaguante bucal) que pudesse ser usada para inativar o vírus na cavidade oral e assim prevenir a infecção ou mesmo reduzir a carga viral”, responde Taíssa.

A odontóloga lembra que glândulas salivares, garganta e região nasal são algumas das áreas de predileção do vírus, especialmente nas fases iniciais da infecção e mesmo em indivíduos assintomáticos. Por isso, secreções coletadas com swab (haste estéril, semelhante a um longo cotonete) da garganta ou da região posterior do nariz são comumente usadas em exames sorológicos para detecção do vírus e confirmação da doença/infecção.

De acordo com a profissional, pesquisadores acreditam que a diminuição da carga viral com o uso de enxaguantes bucais, mesmo que de forma transitória, possa ter um impacto importante na transmissão da doença. E isso é extremamente relevante quando são consideradas as intervenções dentro da boca, como durante a realização de procedimentos odontológicos rotineiros, durante os exames intraorais em qualquer área da saúde (como otorrinolaringologia, fonoaudiologia etc.), durante as intubações em UTIs, dentre outras.

“Estudos in vitro têm demonstrado que a ação de determinados enxaguantes bucais, que apresentam álcool e óleos essenciais em sua composição, são capazes de afetar significativamente a atividade de alguns vírus como os da herpes, gripe comum e H1N1. E verificaram que o mecanismo de ação estava diretamente relacionado à desorganização da membrana de gordura. O mesmo efeito não foi encontrado em vírus que não apresentam essa membrana lipídica, como o adenovírus e o rotavírus”, relata a odontóloga.

Segundo Taíssa, pesquisa recente realizada na Alemanha e publicada no renomado periódico The Journal of Infectious Diseases, no final de julho deste ano, indica que algumas formulações de enxaguantes bucais são, sim, capazes de inativar o SARS-CoV-2, pelo menos em simulações in vitro. 

Ela informa que, nesse estudo, oito enxaguantes bucais (rotineiramente comercializados em farmácias e supermercados da Alemanha) foram testados, e três demonstraram uma redução significativa da carga viral na boca, dentre eles o Listerine com álcool. Disse que não se verificou uma inibição da replicação e reprodução do vírus nas células, mas sim uma diminuição da concentração de vírus e uma inativação dos mesmos quando sujeitos à ação dos bochechos em um curto período de tempo (exposição por 30 segundos).

OPÇÃO ÚTIL

A odontóloga alerta que, com essa descoberta, os pesquisadores enfatizam que fazer bochechos com enxaguantes bucais não é uma opção de tratamento para pacientes com Covid-19 e nem uma forma de proteção contra o vírus, mas, sim, uma opção útil e eficaz para reduzir a carga viral na boca e garganta e, desta forma, minimizar o risco de contaminação de profissionais da saúde, durante intervenções na cavidade bucal, especialmente naqueles procedimentos que geram aerossóis.

“Lembra quando falamos, há pouco, em uma guerra química contra o vírus? Os resultados desse estudo nos mostram que, nessa primeira batalha, saímos vitoriosos e otimistas. Entretanto, é inquestionável que mais pesquisas são necessárias, especialmente estudos clínicos, para melhor esclarecer o tema e para o fortalecimento in vivo das evidências encontradas in vitro”, frisa Taíssa.

A profissional da Divisão Odontológica nos diz que, até o momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) enfatiza que não há nenhum enxaguante bucal capaz de prevenir a infecção pelo novo coronavírus.

“Raciocinemos também que o bochecho com enxaguante bucal pode até diminuir a carga viral na boca, mas a produção de saliva não para e, sendo a glândula salivar um ‘habitat’ para o vírus, certamente em poucos minutos a cavidade oral estará novamente infectada”, acrescenta ela.

Taíssa Leite aconselha que, em se tratando do uso de enxaguantes bucais, o paciente deve seguir a orientação de seu cirurgião-dentista. 

“E, independentemente do uso de enxaguantes bucais, proteja-se da infecção ou reinfecção pelo novo coronavírus, higienizando adequadamente as mãos com água e sabão e/ou álcool em gel 70%, usando máscara, mantendo o distanciamento social e seguindo as demais orientações dos órgãos sanitários”, finaliza a odontóloga.

CARTILHA 

A Divisão Odontológica do Tribunal de Justiça do Maranhão também elaborou uma cartilha, com normas de funcionamento, biossegurança e adequações em tempos de Covid-19. Leia AQUI, ou no arquivo abaixo, todo o conteúdo sobre algumas mudanças nas rotinas de atendimento, necessárias como medidas de prevenção.

Comunicação Social do TJMA
asscom@tjma.jus.br

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