Portal do Poder Judiciário do Estado do Maranhão

BG Comunicados
Busca ▼
Desde 2009, a cada ano, a unidade judicial organiza dois grupos de trabalho.

Desde 2009, a cada ano, a unidade judicial organiza dois grupos de trabalho.

Vara de Violência Doméstica inicia trabalhos com grupos reflexivos de violência de gênero

29
MAI
2017

12:13

A Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher inicia nesta terça-feira (30), no Salão Ecumênico do Fórum Desembargador Sarney Costa, no Calhau, as atividades com mais um Grupo Reflexivo de Gênero, que trabalha com homens autores de violência doméstica. Na quinta-feira (1º de junho) começa o trabalho com outro grupo.

Desde 2009, a cada ano a unidade judicial organiza dois grupos de trabalho, desenvolvendo com eles atividades de reflexão no plano psicológico e de comportamento. Até aqui a Vara já organizou 15 grupos, com número de participantes variados. O grupo desta terça-feira possui 16 membros; e o de quinta-feira, 14.

Os resultados alcançados até aqui são considerados excelentes. Nenhum participante reincidiu na prática de violência de gênero, e o que é mais importante: eles mudaram a sua visão de família e a forma de se relacionar com a parceira, com os filhos, os amigos e a sociedade. O trabalho, que tem a supervisão da juíza Suely de Oliveira Santos Feitosa (respondendo pele unidade judicial), é coordenado pela equipe multidisciplinar da Vara de Violência Doméstica, formada pelo psicólogo Raimundo Ferreira Filho e pela assistente social Maria José Sousa Alves.

Aliás, a própria formação da equipe que coordena o grupo, baseada em uma dupla de profissionais (homem e mulher), sem hierarquia entre eles, obedece a uma estratégia da metodologia, que visa a projetar a imagem de um casal com relacionamento harmonioso. Serve também para realçar a presença de uma mulher em posição de poder no contexto do grupo, contrapondo-se à simbologia de violência de gênero, que reside em ideias e práticas que colocam a mulher em situação desigual perante o homem.

Escolha dos participantes - A indicação para participar dos grupos é feita pela juíza, ao proferir a sentença. Depois disso, a equipe multidisciplinar faz uma análise de perfil do eventual candidato, que não pode ter problemas psiquiátricos, envolvimento com alcoolismo, nem ser usuário de drogas.

Após essa triagem, candidato é chamado para fazer um cadastro e submetido a uma entrevista, para esclarecimento do programa. Na sequência é dado início aos encontros semanais, num total de dez, e após esses encontros, que devem terminar em agosto, a unidade judicial realiza outros três encontros, com periodicidade mensal, para avaliação e acompanhamento.

O psiquiatra Raimundo Ferreira Filho explica que o primeiro encontro é marcado pela desconfiança entre os participantes. “Eles estão receosos, temerosos até de serem presos. Não entendem por que estão ali; acham que o ato que praticaram no ambiente familiar não foi uma violência, mas apenas uma discussão de casal”. Assim, a ideia do primeiro encontro é que, por meio de um trabalho de dinâmica de grupo, eles façam uma descompressão de toda aquela carga emocional e psicológica. “Procuramos fazer com que eles coloquem para fora um pouco dessa ansiedade, dessas dúvidas que os cercam”.

Visão modificada - Com o encadeamento dos encontros, os participantes vão modificando a sua visão de mundo e a forma de se relacionar. No encerramento das atividades de grupo, eles fazem uma avaliação, em que relatam os sentimentos de como chegaram ali e como estão saindo de lá. “Muitos dizem que foi a melhor coisa que aconteceu na vida deles. Começam a assumir que o ato praticado e que resultou em uma ação penal, foi um ato de violência, que não podia ser deflagrado contra a mulher, contra ele próprio ou contra qualquer outra pessoa”.

Os participantes então passam a ter a clareza que qualquer pessoa pode ficar vulnerável a praticar violência. “Começam a perceber o que o grupo fez de positivo com eles”. Há casos de policiais que mudaram o comportamento no próprio ambiente de trabalho porque entenderam que usar a violência contra criminosos ou contra quem quer que seja não é um método adequado.
Os grupos produzem reflexos nos participantes em todos os espaços de convivência. Melhoram por exemplo a relação conjugal deles e com a própria comunidade. “O trabalho é direcionado para a questão de gênero, mas tem repercussão no comportamento social da pessoa, incluindo os mais diversos ambientes de interação”, assinala Raimundo Filho.

Em razão disso, os participantes exercem depois a função de multiplicadores de conhecimentos, ajudando e orientando seus amigos e colegas de trabalho a mudarem também a forma de se relacionar. Alguns deles são indicados pela equipe multidisciplinar da unidade judicial para falarem de suas experiências em um dos dez encontros programados para os grupos.

 

Núcleo de Comunicação do Fórum de São Luís

Para acompanhar as notícias do Poder Judiciário, curta nossa página no Facebook.

aspas É permitida a reprodução do conteúdo publicado neste espaço, desde que citada a fonte.aspas2